Em seu discurso, Flávio Bolsonaro não hesitou em rotular a ação do ministro como uma “canetada burocrática”, enfatizando que tal interferência vai de encontro à vontade popular manifestada pelo Legislativo. “Parece mais uma vez um jogo combinado, e a democracia acaba abalada. É uma decisão do Congresso, amplamente respaldada, que defende a lei da anistia. No entanto, através de uma única disposição, o ministro revoga essa deliberação dos verdadeiros representantes do povo. O Brasil parece estar se acostumando com isso, mas nós não aceitaremos”, declarou o senador de maneira contundente.
Além de criticar a decisão isolada de Moraes, Flávio também levantou suspeitas sobre a relação entre o ministro e o deputado Paulinho da Força, relator do texto original da dosimetria na Câmara dos Deputados. Ele insinuou que a proximidade entre eles poderia ter influenciado a restrição do debate legislativo. “Estranhamente, foi o próprio Alexandre de Moraes que elaborou o texto que foi aprovado no Congresso. Ele impediu que o debate se ampliasse, uma vez que nós desejávamos uma anistia ampla, geral e irrestrita. E o relator, que possui uma conexão direta com o ministro, parece ter agido em função disso”, afirmou.
A fala do senador reflete um clima crescente de tensão entre os Poderes e acende um debate sobre os limites de atuação do Judiciário em matérias legislativas, especialmente em tempos onde as crises políticas e institucionais permeiam a sociedade brasileira. Esse episódio revela a complexidade das relações entre os diversos órgãos do governo e a constante luta pelo fortalecimento da democracia no país.





