Fiocruz desativa alojamento estudantil em Zona Oeste do Rio devido à violência; estudantes clamam pela manutenção da moradia e alternativas coletivas.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou a desativação do alojamento estudantil do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF), localizado em Jacarepaguá, como resposta ao crescente problema da violência urbana na área. Essa decisão, que afetará 35 estudantes de pós-graduação, foi tomada após um cuidadoso monitoramento da situação de segurança nos arredores do alojamento, considerado insustentável diante do aumento dos riscos à vida e à integridade física dos residentes.

Em comunicado oficial, a Fiocruz destacou que, nos últimos meses, a deterioração da segurança no local se tornou evidente, levando a instituição a implementar um plano de desocupação gradual. Os estudantes afetados receberão um auxílio financeiro mensal de R$ 800, destinado a ajudar na transição para uma nova moradia. Esse benefício terá uma duração inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado caso as condições de segurança permaneçam desfavoráveis.

A desocupação será realizada de maneira gradual, com apoio emocional e orientações aos estudantes, visando minimizar o impacto na continuidade de suas atividades acadêmicas. O Conselho Deliberativo da Fiocruz estará envolvido na supervisão do processo e no acompanhamento da segurança local.

Os moradores do alojamento, que incluem estudantes de diversas origens e áreas de pesquisa, se mobilizaram contra a decisão. Eles expressaram preocupação com a mudança abrupta, que consideram unilateral e potencialmente prejudicial aos seus projetos de pesquisa na instituição. Além disso, argumentam que o auxílio financeiro proposto é inadequado para cobrir os custos de moradia em uma cidade como o Rio de Janeiro.

A questão da segurança foi levantada pelos estudantes como um fator que poderia ser mitigado com melhorias na infraestrutura do alojamento. Sugestões como a construção de muros de proteção foram ignoradas pela administração da Fiocruz, que posteriormente convocou uma reunião para comunicar a decisão final. Após a reunião, os estudantes enviaram uma carta solicitando a suspensão imediata da desativação até que alternativas viáveis fossem discutidas coletivamente.

Os relatos dos estudantes enfatizam ainda a falta de apoio familiar, ressaltando que muitos deles pertencem a grupos sub-representados, o que torna a permanência no alojamento ainda mais crucial para suas trajetórias acadêmicas. O clima de insegurança é palpável, com relatos de tiros frequentes e confrontos nas proximidades, preocupações que se estendem a toda a comunidade da Zona Sudoeste.

Além de lidar com a desativação do alojamento, a Fiocruz tem enfrentado desafios contínuos relacionados à segurança em seus diferentes campi, tendo adotado medidas para proteger seus trabalhadores e estudantes em meio ao agravamento da violência no Rio de Janeiro nos últimos anos. Essa situação preocupa não apenas os acadêmicos, mas também a administração da instituição, que precisa equilibrar a pesquisa científica com a realidade complexa enfrentada pela população local.

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