Diversas fintechs nacionais, como Nubank, PicPay e Mercado Pago, já começaram a incluir produtos de seguros, desde seguros de vida e automóvel até proteção para dispositivos móveis e residências. Algumas delas têm optado por desenvolver suas próprias operações de seguro, enquanto outras agem como corretoras ou firmam parcerias com seguradoras estabelecidas. O Inter, por exemplo, está investindo em plataformas próprias para oferecer esses produtos diretamente aos seus clientes.
Estudos indicam que o crédito, essencial ainda para as fintechs, está perdendo fôlego devido ao aumento dos custos de captação e à crescente inadimplência. Com a Selic elevando-se a 15% e o spread bancário reduzido, a concorrência entre as mais de 220 fintechs brasileiras se intensifica, tornando prioritário para essas empresas encontrar modelos de negócios mais resilientes. A proposta agora é maximizar o retorno de cada cliente, o que faz dos produtos de seguros uma alternativa atrativa e rentável.
Um dos benefícios dessa diversificação é a redução do risco associado à concessão de crédito. Ao oferecer seguros, como o prestamista, as fintechs conseguem minimizar o impacto financeiro de eventuais calotes, aumentando a previsibilidade e a estabilidade de suas receitas. Essa prática não apenas protege as empresas contra a inadimplência, mas também gera comissões que podem complementar a receita de forma significativa.
As previsões indicam que a inclusão de produtos de seguros nas carteiras das fintechs pode elevar a rentabilidade em até 10%. Além disso, as margens dos seguros costumam ser superiores às do crédito, variando de 15% a 50% dependendo do tipo de produto. Com o seu portfólio ampliado, as fintechs não só buscam atender à demanda direta de proteção dos consumidores, mas também têm se tornado fontes de receita recorrentes, fortalecendo suas posições no mercado financeiro.
Com uma nova estrutura para a distribuição digital de seguros se formando, essa tendência tende a se acelerar, especialmente com o fortalecimento do Open Finance, que permite a ofertas integradas de serviços financeiros. No entanto, as fintechs enfrentam desafios regulatórios, como a necessidade de se adequar à Superintendência de Seguros Privados e às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados.
O caminho ainda é longo, mas o movimento de diversificação em direção ao setor de seguros deve continuar a ganhar força. O crescimento da penetração de seguros no mercado é previsível em dígitos altos, com as estimativas apuntando para uma expansão significativa nos próximos anos. A sinergia entre crédito e seguros representa um passo estratégico importante para a sustentabilidade e o crescimento das fintechs no Brasil.





