O desempenho do Agibank no segundo trimestre deste ano, anunciado recentemente, lança luz sobre os fatores que contribuíram para essa redução. Apesar de algumas observações positivas dos analistas do BTG Pactual, como a recuperação do crédito consignado vinculado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e o aumento na receita de serviços, a análise geral se mostrou preocupante. O lucro antes de impostos ficou significativamente abaixo das expectativas do mercado e as despesas operacionais superaram as previsões. Além disso, o crédito pessoal, uma das principais fontes de receita da fintech, apresentou uma queda no período.
Os analistas do BTG expressaram cautela, indicando que este cenário pode prolongar a melhora da rentabilidade e reduzir a previsibilidade sobre o retorno sobre o patrimônio (ROE), levando a instituição a considerar uma revisão para baixo nas estimativas de resultados da empresa.
As outras fintechs brasileiras também sofreram perdas, mas em menor intensidade. O Inter (INTR) recuou 6,73%, fechando a US$ 5,27, refletindo a preocupação do mercado com o aumento da inadimplência, que superou em 80% as expectativas no último trimestre. O PicPay (PICS) sofreu uma desvalorização de 9,12%, enquanto a Stone (STNE) registrou uma queda de 7,38%, terminando a semana a US$ 10,60. O PagBank (PAGS) teve uma diminuição de 6,06%, fechando a US$ 9,14, e a Nu Holdings (NU), dona do Nubank, caiu 4,22%, encerrando a semana a US$ 13,84. A XP Inc. (XP) também não escapou da maré negativa, visando um fechamento em US$ 16,24, equivalente a uma perda de 5,25%.
Diversos fatores externos influenciaram neste panorama. O relatório de empregos nos Estados Unidos, com uma surpreendente perda de 23 mil vagas em julho, somado à revisão para baixo dos dados de meses anteriores, impactou as expectativas em relação a possíveis aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve em setembro. Apesar do clima de incerteza na economia norte-americana, Wall Street alcançou um fechamento positivo na semana, com o S&P 500 atingindo recordes e o Nasdaq com uma valorização acima de 5% em relação ao acumulado dos cinco dias de pregão.
No cenário internacional, o mercado de petróleo também vivenciou uma quedas, devido a decisões políticas de peso, como a desistência de Donald Trump em operar ações militares contra o Irã. Adicionalmente, o contexto político interno nos EUA começou a se delinear com as primárias, refletindo um clima de indefinição que continua a afetar o ânimo de consumidores e investidores.
