O trabalho de Salles, que resulta de sua Livre-Docência na Unicamp, propõe uma metodologia sistêmica transdisciplinar para explorar temas centrais da filosofia da arte. Para ele, a chave para entender essa relação entre arte e ciência reside na busca pela harmonia. Salles elucida que a arte não é uma prática isolada, mas uma atividade intrínseca à natureza humana, conectando-nos com algo maior—uma síntese energética que dita nossas criações e sentimentos.
Dividida em duas partes, a obra traça um caminho desde a aplicação da metodologia científica para a análise da arte até a investigação das origens da produção artística ao longo da história da humanidade. Para isso, Salles se fundamenta na teoria sistêmica proposta por Ludwig von Bertalanffy, que sugere que todos os organismos estão interligados em dependências mútuas. Ele também recorre ao teorema da incompletude de Kurt Gödel, que afirma que nenhum sistema pode se validar a partir de si mesmo sem cair em inconsistências.
Além de integrar esses conceitos da ciência exata e biológica, Salles incorpora os arquétipos de Carl Jung, que postulou a existência de imagens universais do inconsciente coletivo. A obra nos leva a entender que a criação artística realmente ultrapassa a simples expressão, sendo essencial para a regulação psíquica, e que suas experiências sensíveis têm o poder de transformar nossas vidas.
Ao final, Filipe Salles defende que a experiência estética é uma interação vital entre a arte e a psique humana, promovendo um laço que nos conecta à essência do que significa ser parte deste universo tão complexo e interligado. Em essência, “Harmonia Mundi” é uma defesa apaixonada da arte como uma expressão sublime e necessária da condição humana.
