A situação se agravou ao longo de 2024, revelando uma tendência crescente de demandas reprimidas. Apenas em março, cerca de 900 mil pessoas aguardavam aposentadorias, 690 mil requeriam benefícios assistenciais, enquanto 671 mil estavam à espera de perícias médicas. A maioria dos que aguardam resposta há menos de 45 dias demonstra a urgência e a pressão sobre o sistema.
Na média, o INSS registrou aproximadamente 61 mil novos pedidos por dia em março de 2026, superando a média de 59 mil do mês anterior. Em resposta a essa demanda, foram concluídos, segundo informações do próprio INSS, 1.625 milhões de processos naquele mês. Esse desempenho ainda é insuficiente para atender às expectativas de cidadãos que anseiam por benefícios como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), essencial para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
É importante destacar que um dos grupos mais impactados, o Reconhecimento Inicial de Direitos (RID), sofreu uma considerável redução de 334 mil processos em apenas um mês, resultando em uma diminuição de quase 11% nos pedidos pendentes, o que traz um respiro a muitos que dependem desses direitos.
Frente a essa situação crítica, o INSS vai implementar diversas estratégias, como a nacionalização da fila de análise, onde servidores de diferentes regiões poderão atuar em localidades com maior tempo de espera. Além disso, mutirões de análise e perícia médica, assim como a formação de grupos de trabalho especializados para casos complexos, estão nos planos.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, destacou que a gestão atual buscará melhorar a administração do INSS, ressaltando que a demissão de Waller se deu pela necessidade de uma mudança diante de um desafio que ainda carecia de solução. Ana Cristina Viana Silveira, que possui ampla experiência no INSS desde 2003, foi designada como a nova presidente.
Waller, que assumiu a presidência em abril de 2025, fez sua gestão sob a sombra da Operação Sem Desconto, que investigou fraudes e descontos indevidos em benefícios. Apesar de ter implementado melhorias no fluxo de processos, a persistência da fila de pedidos foi apontada como uma falha crucial e motivo para sua saída.
As investigações da operação revelaram um esquema nacional que resultou em descontos não autorizados totalizando R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, e ainda será investigado o percentual dessas práticas ilegais. O INSS, sob nova direção, permanece sob pressão para estabelecer um sistema mais eficiente e transparente para atender a crescente demanda por benefícios sociais.






