Controvérsias em torno do filme sobre Jair Bolsonaro levantam preocupações sobre as condições de trabalho
O filme que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”, tornou-se foco de investigação após uma série de alegações sobre as condições de trabalho enfrentadas durante as filmagens. O longa-metragem, que conta com o financiamento de José João Abdalla Filho, conhecido como Vorcaro, do Banco Master, está sob a mira de sindicados e representantes dos trabalhadores, após relatos de abusos por parte da produção.
Relatos de figurantes envolvidos nas gravações revelam que pelo menos 14 deles estão se mobilizando para processar a equipe de produção. Segundo informações coletadas, esses profissionais viveram experiências de trabalho que consideraram “humilhantes”, incluindo atrasos nos pagamentos, fornecimento de refeições impróprias para consumo, e restrições severas em relação ao uso de banheiros. Muitos afirmam que só tomaram conhecimento de que o filme abordava a vida de Bolsonaro durante as gravações, o que gerou desconforto para aqueles que se posicionam criticamente sobre o ex-presidente.
Testemunhos junto ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP) destacam que a mobilização dos figurantes se alinha a uma série de denúncias recebidas pelo órgão. “Muitos figurantes se sentiram constrangidos por estarem associados a um filme sobre alguém que criticam”, relatou uma das profissionais ao se referir ao alto nível de desconforto em relação à temática abordada.
O diretor do longa, Cyrus Nowrasteh, conhecido por seus trabalhos com temas religiosos, busca apresentar Bolsonaro como um “improvável vencedor” nas eleições, visando atingir um público internacional. O ator Jim Caviezel interpreta o papel do ex-presidente, e cenas dos bastidores incluem recriações de episódios significativos, como a facada que Bolsonaro sofreu em 2018.
Ademais, informações vazadas revelam que Flávio Bolsonaro teria solicitado novos repasses financeiros a Vorcaro para garantir a conclusão do projeto, com um histórico de transferências que totaliza R$ 62 milhões. Em mensagens enviadas ao banqueiro, Flávio expressou urgência quanto à situação do filme e a necessidade de apoio.
Esses desdobramentos não apenas colocam em xeque as práticas de trabalho no setor audiovisual, como também levantam questionamentos sobre a ética e a responsabilidade nas produções cinematográficas, especialmente quando envolvem figuras públicas controversas. O caso segue sob vigilância, com diversas partes interessadas esperançosas por uma resolução que possa trazer clareza e justiça aos profissionais envolvidos.
