Esse cenário se deve às exigências distintas para a adesão a cada uma dessas instituições. A FIFA, por exemplo, não impõe a condição de ser um Estado soberano para a filiação. Isso possibilita que países e territórios sob diferentes tipos de administração, como os ultramarinos, sejam representados na federação, contanto que possuam uma liga de futebol e uma federação nacional ativa. Por outro lado, a entrada na ONU requer a assinatura da Carta das Nações Unidas e o reconhecimento por parte dos membros já existentes, o que pode esbarrar em barreiras políticas e diplomáticas.
Recentemente, uma lista de 24 países e territórios foi divulgada, destacando aqueles que são membros da FIFA, mas não pertencem à ONU. Entre eles, estão: as quatro seleções do Reino Unido — Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales — que, embora façam parte de uma entidade internacional unificada, desfrutam de autonomia em suas federações de futebol. Territórios ultramarinos britânicos, como Anguila, Bermudas, Ilhas Cayman e Montserrat, e regiões autônomas comoCurazao e Guam também figuram nessa lista.
Além desses, o Kosovo, que tem um status controverso, e a Palestina, reconhecida como Estado observador na ONU, demonstram como a política internacional e o reconhecimento são intricados. A presença de territórios como Hong Kong, Macau, Ilhas Cook e Taiti ilustra ainda mais a diversidade da composição da FIFA, que se estende até áreas com vínculos históricos e culturais complexos.
Essa situação levanta questões sobre a identidade e a representação global no futebol, colocando em pauta a relação entre esportes e política. Em tempos de crescente nacionalismo e disputas territoriais, a capacidade da FIFA de integrar essas entidades sem soberania plena revela um espaço onde a competição esportiva ainda é vista como uma plataforma de diálogo e inclusão, refletindo a riqueza e a variedade da experiência humana em um mundo interconectado.
