Fiéis participam emocionados da 53ª Via-Sacra no Morro da Capelinha em Planaltina, celebrando a Sexta-feira Santa com fé e promessas.

Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, uma significativa multidão de fiéis se reuniu no Morro da Capelinha, em Planaltina, no Distrito Federal, para participar da tradicional encenação da Paixão de Cristo. Este evento, que chega à sua 53ª edição, destaca a importância do local, reconhecido como patrimônio cultural imaterial da região, e ressalta a força das tradições e da fé nas comunidades católicas locais.

A celebração, que atrai visitantes de várias partes, conta com a presença da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, que ressaltou a relevância da data para os cristãos. Ao comentar sobre a importância da representação ao público, afirmou: “O Brasil é um país cristão. É uma mensagem de renúncia, amor e fé que precisa ser mantida viva, e representações como essa ajudam a tocar as pessoas.”

O clima de expectativa começou a se intensificar logo no início da tarde, quando cavaleiros e soldados personificavam as figuras da história, dando vida às primeiras cenas do espetáculo ao ar livre. Entre os presentes estava José Henrique Figueiredo, um menino de quatro anos que experimentava a Via Sacra pela primeira vez, junto de seus pais, que reforçam a tradição familiar. “Minha mãe me trazia quando eu era pequeno. A fé sempre esteve presente na nossa vida”, compartilhou Rodrigo Figueiredo, pai do menino.

Além de José, muitos outros fizeram o percurso ao longo do morro, como Joaquim Fernandes de Queiroz, que enfrentava seu próprio desafio pessoal. Diagnosticado com epilepsia, a subida ao morro era um ato de fé em busca de recomeço.

Fiéis de diferentes origens também ventilaram suas promessas, com alguns percorrendo os cerca de três quilômetros até o topo de joelhos como forma de agradecimento ou súplica. Entre eles, a história de Tatiane Pereira Pacheco, que expressou sua gratidão pela recuperação do filho de 21 anos, que sobreviveu a complicações graves de saúde. Ela compartilhou a angústia vivida durante o tratamento, afirmando que “só Deus na vida dele” poderia dar garantias.

Outro relato impactante é o de Maria de Lourdes da Cruz Lima, que, apesar de sua condição delicada de saúde, subiu o morro trazendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um gesto que ela considerou um milagre.

O ápice da celebração ocorreu no início da noite, com a encenação da crucificação de Cristo, trazendo uma carga emocional profunda que reverberou entre os presentes, reafirmando a importância desta tradição na vida religiosa local. A devoção e o sentimento de renovação espiritual permeiam cada canto do evento, refletindo a força da fé que une a comunidade.

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