Ferro e fogo: PP e União Brasil ensaiam neutralidade em eleições do Rio, isolando Douglas Ruas e fortalecendo Eduardo Paes na corrida ao governo.

A pré-candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro enfrenta um cenário cada vez mais complexo, especialmente após a movimentação estratégica da federação composta pelo Partido Progressista (PP) e União Brasil. Está em curso uma articulação para que essa federação declare sua neutralidade nas próximas eleições fluminenses, seguindo uma tendência similar ao que pretendem fazer a nível nacional. Essa iniciativa, que ocorre antes das convenções eleitorais e do início oficial da campanha, pode beneficiar Eduardo Paes, do PSD, ao isolar o PL, partido de Douglas Ruas e do presidente Flávio Bolsonaro no estado.

A neutralidade, que aguarda a confirmação do diretório nacional, permitiria que os membros dos partidos da federação apoiassem candidatos variados na disputa eleitoral. Espera-se que essa decisão seja concretizada já na próxima semana. Nos últimos dois anos, PP e União Brasil foram responsáveis por eleger cerca de um terço dos prefeitos do Rio, um feito que reforça o poder e a relevância dessa aliança na política local, especialmente em relação ao tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito.

Desde fevereiro, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, foi anunciado como vice na chapa de Ruas, mas sua proximidade com Paes pode levá-lo a apoiá-lo, caso a neutralidade seja oficializada. No começo do ano, Lisboa havia sido cogitado como vice de Paes, mas teve que aceitar a missão partidária que o direcionou para a chapa do PL. A dependência do PP em relação aos critérios de apoio no passado levanta questões sobre sua possível aliança futura.

Recentemente, a relação entre o PSD e o PP se fortaleceu, especialmente em uma reunião que contou com a presença de Paes e representares do PP, discutindo a possibilidade de “dividir” a sigla. Além disso, das quatro candidaturas apresentadas pela direita ao lado de Flávio Bolsonaro, apenas Douglas Ruas ainda se mantém como uma opção viável.

A situação se complica ainda mais para alguns pré-candidatos, como Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, que enfrenta investigações da Polícia Federal, e o atual governador interino, que ficou inelegível devido a questões jurídicas vinculadas à Ceperj. Os membros do PP expressam preocupações com a crise política que assola a direita no Rio, o que aumenta o receio de que novas operações policiais possam comprometer ainda mais a candidatura de Ruas.

Diante do cenário favorável a Paes e da possível neutralidade do partido, fica evidente que a aliança do PL com Ruas poderá se mostrar cada vez mais difícil, com a Justiça já impondo reveses ao partido, especialmente em relação à linha sucessória do governo do estado. Com as eleições se aproximando, o clima de incerteza e tensão continua a dominar o cenário político fluminense.

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