A educadora e economista comportamental Olívia Resende destaca que a infância é o momento ideal para a formação de valores e hábitos relacionados ao dinheiro. Ela enfatiza que as crianças tendem a aprender de forma mais eficaz observando as ações dos pais e participando ativamente das decisões financeiras da família. No entanto, um erro comum entre as famílias é evitar discutir o tema financeiro com os filhos. Por receio de que o assunto seja muito complexo ou por querer protegê-los de preocupações, muitos pais acabam não proporcionam uma compreensão básica sobre finanças.
Resende ressalta que o aprendizado financeiro pode ser concreto e acessível. Ela recomenda que, ao conceder uma mesada, os pais utilizem dinheiro em espécie, pois isso facilita a compreensão sobre ganhos, gastos e economia. Para famílias que preferem contas digitais, a especialista sugere a utilização de recursos visuais, como imprimir cédulas fictícias que representam o saldo da conta ou utilizar um cofre transparente, permitindo que a criança veja o crescimento de suas economias. Tais maneiras tornam a experiência de poupança mais tangível.
Além disso, atividades cotidianas podem se transformar em aulas práticas de finanças. Os especialistas sugerem que os pais planejem passeios em família, estabelecendo um orçamento; transformem a ida ao supermercado em um jogo de comparação de preços; ou incentivem metas de economia durante as férias. Conversar sobre a distinção entre desejos e necessidades é fundamental antes de fazer compras e, ao se aproximar do período de volta às aulas, montar um orçamento pode ser uma excelente forma de ensinar organização financeira.
Um exemplo prático é o de Caroline Pássaro, uma médica alergista que implementou esses ensinamentos com sua filha, Juliana, de 9 anos. Desde que Juliana começou a aprender operações matemáticas básicas, Caroline começou a introduzir a educação financeira em suas atividades diárias. A garota recebe uma mesada semanal, com a qual é incentivada a gastar apenas metade e economizar o restante. Além disso, Caroline estimula discussões sobre economia e utiliza parte das economias da filha para comprar dólares, preparando-a para futuras viagens.
Para Caroline, a educação financeira não é apenas sobre economizar; é uma maneira de preparar sua filha para ser financeiramente independente e capaz de aproveitar oportunidades, como educação e lazer, tornando decisões conscientes que trazem segurança para o futuro. O acompanhamento desse aprendizado desde a infância pode ser um diferencial significativo na formação de adultos mais preparados para lidar com os desafios financeiros da vida.





