O economista Lu Ruquan, associado ao Instituto de Pesquisa Econômica e Tecnológica da CNPC, observou que a situação no Oriente Médio abalou profundamente a cadeia de suprimentos a nível global. Ele advoga que, para mitigar os riscos associados a esse tipo de bloqueio, Pequim deve expandir suas capacidades de escolta, preparar respostas a emergências e fortalecer a segurança em regiões estratégicas. O fechamento do estreito, que se arrastou desde março, causou uma interrupção significativa no transporte de petróleo, gás e fertilizantes, pressionando os preços e provocando uma inflação que chegou a 4,2% nos Estados Unidos em maio, o nível mais alto em três anos.
Recentemente, no entanto, um esboço de acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã trouxe um respiro ao cenário, com a expectativa de reabertura do estreito e a suspensão do bloqueio naval americano. Teerã, conforme acordado, se comprometia a garantir a passagem segura por um período inicial de 60 dias e a dialogar com nações do Golfo sobre a administração futura dessa importante via aquática.
Apesar dessa perspectiva de alívio, especialistas alertam que a crise em Ormuz evidencia que os corredores energéticos estão se tornando focos de crescente tensão geopolítica. Essa realidade impacta diretamente a estabilidade do abastecimento e os fluxos comerciais, o que levanta questões sobre a resiliência das cadeias de suprimentos.
A Marinha chinesa conta com praticamente duas décadas de experiência em operações de escolta no golfo de Áden. Contudo, especialistas como Ma Bo, da Universidade de Nanjing, destacam que as ameaças atuais, que incluem drones e mísseis antinavio, demandam soluções mais abrangentes do que apenas aumentar a frota. Ele defende a necessidade de uma maior consciência situacional, a criação de pontos de abastecimento no exterior e a estruturação de sistemas de evacuação e resposta coordenada.
Ma também sugere que o Ártico e o Cabo da Boa Esperança poderiam emergir como alternativas para rotas marítimas afetadas, mas acredita que a verdadeira segurança estratégica virá dos corredores terrestres, como o oleoduto que liga a China a Mianmar e as conexões energéticas pela Ásia Central e Rússia. Essa abordagem diversificada poderia, portanto, reforçar a posição da China em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.





