Fazenda reduz expectativa de crescimento do PIB para 2026, projetando 2,3%; mercado tem previsão ainda mais baixa, de 1,8% para o ano.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda anunciou uma revisão na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2026, reduzindo a expectativa de 2,4% para 2,3%. Essa alteração reflete um cenário mais conservador, especialmente devido à antecipação de um crescimento moderado no segundo semestre de 2025, o que impactaria o desempenho econômico logo no início de 2026.

Os economistas consultados no Boletim Focus do Banco Central projetam uma realidade ainda mais contida, estimando um crescimento de apenas 1,8% para o PIB em 2026. Esse desaceleramento é especialmente visível no setor agropecuário, que deverá enfrentar uma colheita inferior em 2026 em comparação a 2025, com uma previsão de crescimento de meros 0,5%.

Todavia, a Fazenda acredita que a lenta movimentação da agropecuária poderá ser compensada pela evolução da indústria e do setor de serviços. Para esses segmentos, as projeções são de um crescimento de 2,3% e 2,4%, respectivamente. É importante destacar que o setor de serviços, que representa a maior fatia do PIB, pode experienciar diversos estímulos, incluindo novas isenções de imposto de renda, o pagamento de precatórios e uma ampliação do crédito consignado privado, além de um aumento na massa real de rendimentos.

No que diz respeito à indústria, a produção extrativa deverá liderar, mesmo que com uma expansão reduzida. Há expectativas de recuperação na indústria de transformação, que poderia trazer um alívio à situação econômica.

Além da revisão para 2026, o PIB de 2025 também foi atualizado, passando de 2,2% para 2,3%, o que representa uma recuperação em relação a previsões anteriores. É importante mencionar que os dados finais do PIB de 2025 ainda estão por vir, com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) responsável por essa divulgação. Para 2024, a economia apresentou um crescimento robusto de 3,4%.

Ainda no campo das expectativas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está projetado para 3,6% em 2026, mantendo-se dentro do limite da meta inflacionária que varia de 1,5% a 4,5%. Para 2025, a inflação foi de 4,26%, com o mercado estimando um índice de 3,99%. A partir de 2027, o Ministério da Fazenda espera a convergência da inflação ao centro da meta.

Esses dados fazem parte do Boletim Macrofiscal, uma publicação bimestral que apresenta as projeções de curto e médio prazo para os indicadores econômicos e de inflação, essenciais para a formulação orçamentária da União. A busca por previsões mais realistas reflete um momento de cautela e planejamento estratégico diante das incertezas econômicas que o país enfrenta.

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