Por exemplo, as visitas que estavam previstas para acontecer no fim de março agora foram adiadas para abril e até mesmo maio. Ao todo, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) já notificou a mudança nas datas, criando uma série de expectativas frustradas para os familiares. Algumas novas datas incluem: 25 de março agora marcada para 10 de abril; 26 de março remarcada para 17 de abril; e até mesmo os dias 1 e 2 de abril, que agora foram transferidos para 27 de abril e 4 de maio. A Seape justifica tais alterações como uma necessidade de garantir a segurança tanto dos visitantes quanto dos detentos, afirmando que todas as visitas afetadas serão reprogramadas assim que a situação se normalizar.
Uma mulher de 60 anos, que prefere manter sua identidade em sigilo, expressou sua angústia ao não conseguir ver o filho, de 30 anos, desde 2 de março. O filho está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) por tentativa de feminicídio. Ela relata que, frequentemente, acompanha as datas de visita pelo aplicativo disponível, mas todas têm sido adiadas. “Já estou há mais de um mês sem visita. Os produtos de higiene entram apenas uma vez por mês e a alimentação que levo quinzenalmente não consegui enviar desta vez”, desabafou.
A crise atual também reflete um impasse na regulamentação da carreira dos policiais penais no DF. A mobilização da categoria pressiona o Poder Público por melhorias. Paulo Rogério, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Distrito Federal, destaca que a situação é crítica, especialmente porque o processo de regulamentação já foi enviado à União, mas ainda depende de várias etapas que podem se arrastar, especialmente em ano eleitoral, quando o prazo para a implementação de medidas administrativas se torna um fator complicador.
O Governo do DF busca uma solução que permita a criação de uma lei distrital que antecipe essa regulamentação. Essa proposta não acarretaria, segundo o sindicato, em aumento imediato de despesas, uma vez que os efeitos financeiros só começariam a ocorrer após a inclusão formal da carreira no Fundo Constitucional. Enquanto o cenário continua incerto, as famílias de presos permanecem sem uma previsão clara de quando as visitas poderão ser retomadas, sinalizando a complexidade do sistema e a necessidade de soluções rápidas e efetivas.
