Durante sua explanação, a juíza enfatizou que a utilização indevida de documentação médica e a prática de atendimentos e prescrições de medicamentos, sem a devida formação, evidenciam uma conduta altamente censurável. “A gravidade concreta dos fatos exige a intervenção do Poder Judiciário, principalmente considerando que o suspeito teria atendido pacientes ao longo de vários meses, utilizando a identidade de um médico legítimo”, afirmou a juíza. Ela ressaltou que a prisão não é baseada apenas em uma gravidade teórica, mas na necessidade urgente de proteger a coletividade de futuras ações delituosas.
O caso chegou à polícia na última quinta-feira, quando Diogo foi preso em flagrante em Nova Iguaçu, durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos com um tumor cerebral. Ele foi interceptado por agentes da 63ª DP (Japeri), que o encontraram utilizando um crachá e um receituário em nome de um médico verdadeiro. A investigação revelou que o acusado havia ido à casa da criança diversas vezes, realizando prescrições e emitindo encaminhamentos, sempre sem qualquer habilitação para tal.
A situação foi descoberta quando a mãe da menina, desconfiada das prescrições, decidiu verificar o registro do médico no Conselho Regional de Medicina. Ao se deparar com informações discrepantes, acionou as autoridades. A equipe da 63ª DP se deslocou até o local e, ao ser confrontado, Diogo admitiu ser o médico mencionado no receituário, resultando em sua prisão.
Durante a abordagem, os policiais encontraram outros documentos falsos e carimbos em nome de outro profissional de saúde. De acordo com as investigações, o falso médico pode ter causado danos irreparáveis à saúde da criança, através de prescrições inadequadas, superdosagens ou interações medicamentosas perigosas.
Além das acusações de exercício ilegal da medicina, o homem enfrenta processos por falsidade ideológica, uso de documentos falsos e estelionato. A Polícia Civil está ampliando a investigação para determinar se ele também apresentou documentos fraudulentos à empresa de home care que o contratou. Além disso, a possibilidade de Diogo ter se passado por estudante de Medicina será conferida junto a instituições educacionais. As investigações prosseguem, dado o histórico do acusado, que inclui investigações anteriores por peculato e furto de medicamentos.
