Falsa advogada é presa no Rio após enganar galerista em esquema de estelionato que envolveu quadros de R$ 10 milhões e adiantamento de R$ 2 milhões.

Falsa Advogada é Detida em Caso de Estelionato no Rio de Janeiro

Michele Coelho Montenegro, uma mulher que se apresentava como advogada e comerciante de arte, foi presa nesta quarta-feira, 11 de outubro, em um apartamento localizado na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. A detenção ocorreu em virtude de um mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça do estado, após a Polícia Civil investigar seu suposto envolvimento em um esquema de estelionato e apropriação indébita.

Com uma impressionante fachada de credibilidade, Michele se autodenominava herdeira de uma grande fortuna, o que a ajudava a conquistar a confiança de suas vítimas, sendo a mais significativa um antiquário. Segundo as apurações lideradas pelo delegado Marcos Buss, titular da Delegacia de Defraudações (DDEF), Michele está vinculada a 17 investigações que tramitam na Polícia Civil.

Os relatos indicam que a golpista induzia seu alvo a acreditar em promessas de negócios vantajosos, o que culminou na entrega de quatro obras de arte avaliadas em cerca de R$ 10 milhões. Essas obras foram dadas à Michele sob a promessa de que ela intermediaria sua venda. Em troca, a falsa advogada apresentou quatro cheques como garantia, todos devolvidos posteriormente por falta de fundos. Michele ainda teria recebido um adiantamento de R$ 2 milhões do antiquário, além de solicitar R$ 120 mil como entrada para a venda de um apartamento que não estava em sua posse.

A ação da DDEF nesta quarta-feira também incluiu a execução de nove mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos envolvidos na trama, abrangendo áreas como Ipanema, Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Niterói. Durante as buscas, os policiais encontraram uma das obras que pertenciam ao antiquário, que estava com um homem preso por receptação. Ambos – Michele e o receptor – optaram por não prestar declarações à polícia e devem manter silêncio até a audiência judicial.

Adicionalmente, Michele estava nomeada como assessora da Secretaria Estadual da Casa Civil, recebendo um salário de R$ 12 mil. Contudo, após ser informado sobre as alegações, o governo estadual decidiu exonerá-la imediatamente, justificando que sua nomeação ocorreu em uma gestão anterior, antes da implementação de rigorosos procedimentos de compliance.

Os crimes pelos quais Michele é indiciada incluem estelionato e apropriação indébita, marcando mais um capítulo sombrio na história de fraudes associadas a falsos profissionais no Brasil. A investigação continua, e as autoridades estão atentas a possíveis novas vítimas nos desdobramentos desse caso.

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