Na última sexta-feira, a água baixou na avenida José de Alencar, permitindo que os moradores pudessem retornar às suas residências. No entanto, a preocupação ainda é grande, como relatou Fernando de Araújo, que teve que lidar com a iminência do alagamento em seu prédio. Ele destacou a necessidade de uma atenção maior por parte das autoridades locais com relação ao bairro.
Atualmente, das 23 estações de bombeamento da cidade, 12 não estão em pleno funcionamento, principalmente nas regiões Norte e Central, conforme informações do Departamento Municipal de Águas e Esgoto. O órgão garantiu que está trabalhando para restabelecer todo o sistema o mais rapidamente possível.
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, defendeu que não houve falta de manutenção no sistema de prevenção a inundações da cidade, durante entrevista concedida ao Repórter Nacional. Ele ressaltou que as bombas existentes não foram concebidas para o volume de água e a altura atuais, mas que receberam manutenção constantemente. Melo ainda criticou o que chamou de “narrativa mentirosa da esquerda” em relação ao problema.
No entanto, um grupo de 42 especialistas, incluindo engenheiros, arquitetos e geólogos, discorda das declarações do prefeito. Eles assinaram uma carta afirmando que a falta de manutenção foi um dos principais problemas que causaram as falhas no sistema de prevenção contra inundações. O engenheiro Vicente Rauber, ex-diretor do antigo Departamento de Esgotos Pluviais de Porto Alegre, ressaltou a importância da manutenção constante nesses sistemas.
Em resposta ao documento dos especialistas, é ressaltado que no ano passado, quando o sistema foi acionado, as deficiências nas comportas eram visíveis e facilmente resolvidas, mas o problema não foi devidamente solucionado. Assim, a discussão sobre a responsabilidade pela falha no sistema de prevenção a inundações em Porto Alegre segue intensa e envolvendo diferentes perspectivas e opiniões.