Isolamento no STF: A Questão do Código de Ética e a Liderança de Fachin
O atual momento da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o comando de Edson Fachin, é caracterizado por um isolamento sem precedentes. Fachin, frequentemente visto como o guardião da ética judicial, parece prescindir do diálogo com os demais ministros ao abordar temas sensíveis como a criação de um Código de Conduta e a condução do Inquérito das “fake news”.
Na última terça-feira, Fachin concedeu uma entrevista com reflexões sobre seus primeiros seis meses à frente do tribunal, um evento que inevitavelmente possui uma natureza autoelogiosa. É difícil imaginar que um discurso de prestação de contas em um contexto tão delicado sirva para algo além de promover uma apreciação própria. O ministro enfatizou a importância da discussão sobre o Código de Ética, ao mesmo tempo que mencionou a necessidade de encerrar o inquérito relacionado à disseminação de desinformação. No entanto, suas afirmativas parecem mais uma tentativa de pressionar seus pares do que um convite ao consenso.
Embora Fachin aspire a ser a personificação da sabedoria e da virtude, suas escolhas geram preocupações, pois abrem as portas para pressões externas sobre um tribunal que deveria ser imparcial. O discurso do presidente do STF sobre regras éticas revela um dilema fundamental: quem garantiria a aplicação dessas normas? Sem uma hierarquia clara ou sanções definidas para infrações, o que se propõe pode acabar mais em conflito do que em harmonia.
Além disso, a retórica de Fachin pode ser percebida como uma tentativa de instaurar uma “Polícia de Costumes” na Corte, um cenário que, se tornado realidade, poderia divergir perigosamente da essência de um tribunal supremo. O receio é que pressões externas e a moralização exacerbada conduzam a uma diminuição da liberdade de expressão e do debate crítico entre os magistrados.
Fachin tem consciência de que sua abordagem está sendo monitorada não apenas pelos colegas, mas também pela sociedade. Ao afirmar que quem desrespeita as regras éticas deve “repensar seu comportamento”, o ministro propõe uma reflexão que beira a uma conversa instrucional. Contudo, a dinâmica do STF revela que essa abordagem pode não ser a mais adequada, dado que a natureza de uma Corte Suprema exige independência e resistência à coerção.
Diante desse cenário, a preocupação é que a liderança isolada de um presidente do STF não apenas comprometa sua autoridade, mas também impacte negativamente a imagem do tribunal como um todo. O desafio que Fachin enfrenta é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de ética na magistratura e a preservação da autonomia dos seus pares. Se o isolamento persistir, tanto a instituição quanto a democracia serão as maiores vítimas dessa descompassada condução.
