Fachin defende independência judicial e critica pressões externas durante abertura de conferência sobre direito e política em São Paulo.

O ministro Edson Fachin, atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), abordou questões cruciais em relação à independência do sistema judicial brasileiro durante a abertura do CELS Global Brazil 2026, em São Paulo. Fachin reconheceu a legitimidade das críticas ao judiciário, salientando, no entanto, que romper a ordem constitucional não é aceitável. Em suas declarações, ele referiu-se a pressões vindas do exterior, sem, no entanto, mencionar diretamente os Estados Unidos. O ministro alertou para as consequências de tais pressões, que podem incluir “sanções unilaterais” e o “constrangimento de indivíduos”, defendendo a necessidade de respeito entre as nações soberanas.

Fachin destacou a importância da defesa da independência judicial e da autonomia dos tribunais, sublinhando que essas questões são intrínsecas à proteção da democracia. Ele frisou que o Brasil já enfrentou tentativas de ruptura institucional e democrática, o que elevou o sistema de Justiça a um papel central nos debates públicos. Em sua análise, as forças autoritárias tendem a emergir por vias democráticas, mas uma vez no poder, trabalham para minar os mecanismos de controle e reduzir os direitos fundamentais.

Nesse contexto, o ministro afirmou que a autonomia dos juízes e tribunais é uma garantia da sociedade, e não um privilégio. A defesa da independência judicial, segundo ele, é fundamental para a manutenção do estado de direito democrático.

Na mesma ocasião, Fachin anunciou a criação de um grupo de trabalho no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de revisar o sistema remuneratório do Judiciário. O grupo, que foi estabelecido na última sexta-feira, planeja realizar audiências públicas para ouvir representantes do Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com a intenção de elaborar um anteprojeto de lei que regulamentará as verbas indenizatórias, popularmente conhecidas como “penduricalhos”.

O ministro explicou que o grupo se dedicará a analisar projetos de lei já existentes nas casas legislativas e a desenvolver novas sugestões para uma proposta abrangente que vise à racionalização e organização do sistema remuneratório da magistratura. Fachin enfatizou a importância de incluir diversas associações e entidades da classe, assim como órgãos da sociedade civil e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no processo de criação dessas novas diretrizes. Ele informou que espera que os resultados deste trabalho estejam disponíveis até novembro, destacando o comprometimento com um diálogo amplo e inclusivo em prol da reforma do sistema judicial.

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