Em sua nota, Fachin condenou os comentários de Milei, classificando-os como “desrespeitosos” e “incompatíveis com a civilidade que deve reger as relações entre os Estados”. Ele enfatizou a necessidade de respeito às instituições, especialmente considerando que as declarações foram feitas em solo brasileiro e dirigidas a um magistrado da mais alta instância do Judiciário.
Durante seu discurso, Milei não poupou críticas, chamando Moraes de “lixo careca” e traçando um paralelo entre a situação de Jair Bolsonaro e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu encarceramento. Esta retórica provocou reações não apenas do STF, mas também de outros líderes políticos. O ministro Flávio Dino, por exemplo, respondeu de forma incisiva, ressaltando a importância do Judiciário em estabelecer limites para práticas autoritárias.
O Partido dos Trabalhadores (PT) também se manifestou contrariamente às palavras de Milei. Edinho Silva, presidente da legenda, descreveu a postura do presidente argentino como “inadmissível” e questionou sua adequação ao cargo. Para o PT, embora opiniões críticas sejam esperadas, um chefe de Estado deve agir dentro do respeito às instituições do país que visita.
A visita de Milei ao Brasil culminou com a entrega da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria do governo paulista, concedida pelo governador Tarcísio de Freitas. Contudo, o evento principal foi ofuscado pela controvérsia gerada por suas declarações, ressaltando a tensão nas relações bilaterais e o delicado equilíbrio de respeito entre as nações vizinhas.
