Facções já têm gerentes de roubo de cargas e faturamento superior ao do tráfico de drogas
Madrugada de 20 de março, Rodovia Presidente Dutra. Entre São João de Meriti e a Pavuna, um caminhão saído do interior de São Paulo, carregado de 19 toneladas de doces variados, é fechado por um Toyota Corolla, de onde saltam homens armados. Rendido, o motorista é levado para o Complexo do Chapadão, a cerca de três quilômetros dali. Cinco horas depois, pacotes de bala (500g) e de bombom (300g), parte da carga roubada, já são vendidos nos vagões do ramal Belford Roxo da SuperVia, a R$ 2 cada.
Essa gerência é, em geral, ocupada por um homem de confiança do chefe do tráfico na comunidade, designado para organizar ou autorizar as ações criminosas. É o que ocorre, por exemplo, no Complexo da Pedreira, vizinho ao Chapadão e dominado por uma facção rival.
As investigações da 39ª DP ( Pavuna) revelam que Thiago Rodrigues da Silva, o Thiago Gordo ou TH, é quem coordena o roubo de cargas no Morro da Quitanda, que faz parte do conjunto de favelas. Ele conta com o aval do cunhado, o traficante Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, preso desde novembro do ano passado. Alvo de dois mandados de prisão, Thiago é considerado foragido.
— Em regra, a função do gerente do roubo de cargas é arregimentar os marginais que vão participar das empreitadas e fazer a distribuição dos armamentos fornecidos pelo tráfico — explicou o delegado Maurício Mendonça, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC).
03/05/2017
