Para as autoridades de segurança pública e pesquisadores consultados pelo Metrópoles, essa mudança de cenário pode ser explicada pelo foco do PCC em mercados internacionais de drogas. O PCC, presente em pelo menos 23 países e com uma estimativa de lucro de cerca de R$ 11 bilhões por ano apenas com a exportação de cocaína, está priorizando o tráfico internacional em detrimento das operações internas.
O lucro obtido com a exportação de drogas para o exterior tem levado o PCC a abandonar gradualmente o varejo de drogas nas comunidades, o que abre espaço para as facções cariocas se estabelecerem em novos territórios. Essa mudança de estratégia também é observada no Rio de Janeiro, onde as principais facções criminosas têm reduzido a dependência do tráfico de drogas e têm apostado em modelos de extorsão semelhantes aos das milícias.
A expansão das facções cariocas em estados como Minas Gerais e Bahia demonstra uma reconfiguração do mapa do tráfico de drogas no país. As facções, em busca de novos mercados e territórios estratégicos, têm se adaptado a diferentes realidades locais e formas de atuação. Esse fenômeno, embora acompanhado de perto pelas autoridades de segurança, ainda apresenta desafios para o controle e combate ao crime organizado.
Assim, a disputa territorial entre as facções, a diversificação das atividades criminosas e a busca por novos lucros mostram a complexidade e a dinâmica do cenário do tráfico de drogas no Brasil, que se mantém em constante evolução e adaptação. É necessário um esforço conjunto das autoridades e da sociedade para enfrentar esses desafios e promover a segurança e a paz nas comunidades afetadas pela atuação das facções criminosas.
