Um dos segmentos mais afetados por essas tarifas foi o do café. Embora os grãos verdes, que constituem aproximadamente 90% das exportações brasileiras para o mercado americano, permaneçam isentos, a versão solúvel estava em risco de ser tarifada. Esta categoria é especialmente importante, pois contribui com cerca de 10% das exportações totais com os EUA, um mercado que representa anualmente aproximadamente US$ 220 milhões. Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), destacou a gravidade da situação, afirmando que uma imposição de 25% de tarifa poderia comprometer diretamente as exportações para o principal mercado consumidor do Brasil.
O impacto não se limita apenas ao café. Com o Brasil e o México dominando quase 60% da oferta de café solúvel nos EUA, a dependência do produto brasileiro é clara. Lima enfatiza que a produção local de café solúvel nos Estados Unidos é insignificante, atendendo apenas 6% da demanda interna. O processo de instalação de fábricas para produção local é oneroso e demorado, o que torna inviável a substituição do café brasileiro.
Além do café, outros produtos, como o mel orgânico, também foram poupados das tarifas, devido à argumentação convincente durante as audiências públicas. Renato Azevedo, da Abemel, destacou que o Brasil é o líder mundial na produção de mel orgânico, e a tributação resultaria em aumento de preços para os consumidores americanos, algo sensível em um ano eleitoral nos Estados Unidos.
Entre os itens que foram retirados da lista de tarifas, encontram-se artigos como hidróxido de alumínio, antiguidades, e até mesmo produtos específicos do setor de pesca e medicamentos. A decisão do governo americano em excluir determinados produtos da tarifa demonstra a complexidade e a importância das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que vão além das questões mercadológicas, envolvendo também aspectos de sabor e preferências dos consumidores.
Com a retirada de certos itens da lista e a manutenção da isenção para produtos cruciais, o Brasil se mantém como um parceiro comercial valoroso, vital para o fornecimento de diversos produtos que os consumidores americanos utilizam diariamente. A mobilização dos exportadores e de entidades representativas fez diferença nesta luta, mostrando como a diplomacia comercial continua a ser fundamental nas relações internacionais.





