Um marco importante nesse contexto é que, do ponto de vista argentino, o Brasil perdeu a posição de principal fornecedor de importações, passando a ser superado pela China. Em 2025, 14,6% das vendas externas argentinas tinham o Brasil como país de origem. Em junho deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina totalizaram cerca de US$ 1,3 bilhão, enquanto as importações de produtos argentinos para o Brasil cresceram 3,8%, impulsionadas pela indústria automobilística.
Os especialistas enfatizam que a recente queda nas exportações não é meramente política. O avanço tecnológico da indústria automotiva chinesa e o crescimento dos veículos elétricos têm sido fatores centrais para a diminuição do fluxo comercial tradicional entre Brasil e Argentina, que historicamente tem sido baseado no setor automotivo.
No entanto, a Argentina continua sendo um mercado estratégico para o Brasil, principalmente no que diz respeito à compra de produtos manufaturados. Este é um segmento que está sendo pressionado por tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos. Além disso, é esperado que a concorrência se intensifique, uma vez que a Argentina firmou acordos comerciais com os EUA e enfrenta uma crescente pressão dos produtos manufaturados chineses.
O comércio bilateral entre os dois países tem uma história marcada por volatilidade, que é influenciada por crises econômicas e flutuações cambiais. Nos anos 1990, acordos na área automotiva estimularam o comércio, mas a instabilidade econômica da Argentina ao longo dos anos reduziu essa dinâmica.
Atualmente, enquanto o Brasil exporta principalmente veículos, autopeças e máquinas, suas importações de produtos argentinos se concentram em trigo e automóveis. A dependência brasileira de trigo argentino permanece alta, com cerca de 50% do consumo nacional vindo de importações.
Neste cenário competitivo, tanto Brasil quanto Argentina enfrentam o desafio de se manterem relevantes em um mercado global que é cada vez mais dominado pela China. A necessidade de preservação de mercados no Mercosul e na União Europeia se torna ainda mais urgente para evitar que o Brasil se torne excessivamente dependente de commodities.
