Ex-vereador Dr. Jairinho é condenado a quase 44 anos por morte de Henry Borel; mãe do menino recebe perdão judicial, mas é responsabilizada por negligência.

O 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro proferiu sua decisão na madrugada desta quinta-feira, após um intenso julgamento que durou dez dias, condenando o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, a uma pena de 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pelo assassinato de Henry Borel. A mãe do menino, Monique Medeiros, por outro lado, recebeu um perdão judicial em relação à acusação de homicídio culposo — a forma de homicídio em que não há intenção de matar — após a equipe de jurados excluir a imputação de homicídio doloso, que implica em intenção clara de matar. Os jurados concluíram que houve negligência em sua conduta enquanto mãe.

Este perdão judicial é um recurso legal no Brasil que permite ao juiz reconhecer a prática de um crime mas decidir não aplicar pena ao autor devido ao sofrimento já imposto pela situação. Embora Monique tenha recebido esse perdão, ela não foi totalmente absolvida. Na avaliação dos jurados, ela foi considerada culpada, em um aspecto, por omissão em relação aos atos de tortura que Henry sofreu. Por esse motivo, foi condenada a um ano e quatro meses de detenção, sendo que a juíza responsável pela sentença levou em consideração o tempo que ela já havia cumprido em prisão durante o processo.

Na fundamentação de sua decisão, a juíza Elizabeth Machado Louro destacou que Monique era ré primária e não possuía antecedentes criminais. Ela também mencionou que a reação da sociedade em relação a Monique foi desproporcional, refletindo preconceitos de gênero e questões relacionadas à cultura patriarcal. A juíza enfatizou que essa pressão social estava intrinsecamente ligada às expectativas em torno da figura materna, destacando que, se o pai estivesse na mesma posição de Monique, provavelmente não teria sequer enfrentado um processo.

Vale ressaltar que Monique foi inicialmente libertada em março, mas seu retorno à prisão se deu menos de um mês depois, quando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a manutenção de sua detenção. Ela havia recuperado a liberdade por um breve período após o relaxamento da prisão, que foi possível devido a um adiamento do julgamento, a juíza argumentando que o tempo excessivo de encarceramento poderia ser considerado uma violação de seus direitos.

A condenação de Jairinho, ao mesmo tempo, reitera a gravidade do caso, que chocou a sociedade e trouxe à tona questões complexas sobre responsabilidade parental, julgamentos sociais e a influência da cultura na percepção de crimes relacionados à maternidade e paternidade.

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