Ex-produtor da Boate Kiss ganha regime aberto 13 anos após tragédia que matou 242 pessoas em Santa Maria, com pena reduzida para 11 anos.

Na última sexta-feira, a Vara de Execução Criminal (VEC) Regional de Santa Maria concedeu a progressão para o regime aberto a Luciano Bonilha Leão, ex-produtor musical condenado pelo trágico incêndio na Boate Kiss, que completou 13 anos recentemente. A decisão da juíza Bárbara Mendes de Sant’Anna marca um momento significativo em um processo que deixou cicatrizes profundas na sociedade brasileira, especialmente nas famílias das 242 vítimas da tragédia ocorrida em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Luciano Bonilha estava cumprindo pena em regime semiaberto desde setembro de 2025 e, a partir de janeiro deste ano, atendeu aos requisitos necessários para a progressão, conforme as normativas da Lei de Execução Penal. A mudança no regime foi possível devido ao reconhecimento de remissões por trabalho e estudo, elementos que a legislação considera para a progressão de pena.

Com a nova decisão, Bonilha passará a cumprir sua pena em regime aberto, inicialmente sob monitoramento em prisão domiciliar, utilizando uma tornozeleira eletrônica. Além disso, ele terá autorização para realizar trabalho externo, contanto que obedeça às diretrizes estabelecidas pelo novo regime de detenção. O alvará de soltura foi expedido para sua liberação, ecoando as tensões e debates sobre a legislação penal e suas implicações sociais.

A pena original de Luciano Bonilha foi reduzida em agosto do ano passado, passando de 18 para 11 anos, dos quais já cumpriu aproximadamente 28%, o que corresponde a um período de três anos, um mês e 28 dias. Após essas contagens, ainda restam cerca de 7 anos, 10 meses e 2 dias para completar a sentença.

Bonilha, que atuava como produtor musical e era membro da banda Gurizada Fandangueira, teve um papel controverso na tragédia ao adquirir e ativar o artefato pirotécnico que causou o incêndio. Esse evento, trágico e devastador, não apenas levou a inúmeras perdas humanas, mas também levantou discussões sobre as condições de segurança em casas de show e a responsabilidade dos promotores de eventos na proteção dos frequentadores. A evolução do caso de Bonilha gera um importante diálogo sobre justiça e reabilitação, especialmente em um contexto marcado por tanta dor e perda. A sociedade observa com atenção os desdobramentos dessa decisão, que pode reconfigurar o entendimento sobre a responsabilidade nas tragédias em espaços públicos.

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