Ex-presidentes do Banco Central apoiam PEC que garante autonomia financeira e orçamentária da instituição em carta conjunta, destacando melhorias na estabilidade do sistema.

Em uma decisão marcante, cinco ex-presidentes e 32 ex-diretores do Banco Central (BC) assinaram uma carta de apoio ao relatório recentemente aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65. Esta proposta busca garantir a autonomia financeira e orçamentária da instituição, um passo considerado fundamental para o fortalecimento do papel do BC na economia brasileira. A carta foi divulgada em um momento em que a defesa da autonomia do BC se intensifica, especialmente após uma manifestação anterior de associações do setor financeiro.

Os ex-presidentes que integraram a carta são figuras de destaque no cenário econômico brasileiro, incluindo Wadico Waldir Bucchi, Gustavo Loyola, Henrique Meirelles, Alexandre Antonio Tombini e Roberto Campos Neto. O documento é uma resposta ao relatório elaborado pelo senador Plínio Valério e segue agora para votação no plenário do Senado. Os signatários da carta ressaltam que a legislação complementar de 2021 já havia conferido autonomia operacional ao BC, mas consideram que o processo ainda está incompleto, dado o aumento das responsabilidades da instituição ao longo dos anos, como a supervisão de bancos e a operação de sistemas críticos como o Pix.

Para os ex-dirigentes, a falta de ferramentas e recursos adequados para que o BC desempenhe suas novas funções representa um risco para a estabilidade financeira do país. Eles alertam que a supervisão ineficaz de instituições financeiras e a segurança de sistemas de pagamento, como o Pix, dependem da autonomia e da capacidade operacional do BC. Em sua argumentação, destacam que essa autonomia não apenas preserva a estabilidade financeira, mas também gera ganhos diretos para a sociedade e para as contas públicas ao melhorar a infraestrutura financeira.

Além disso, os ex-dirigentes desmistificam uma crítica frequente à proposta, afirmando que ela não enfraquece o controle democrático sobre o Banco Central. Em vez disso, reforça a necessidade de que a instituição disponha das condições para atuar com eficiência, responsabilidade e transparência, fundamentais para a confiança da sociedade.

Essa preocupação é compartilhada por várias associações do setor financeiro, que já haviam defendido a unicidade do papel do BC na regulação e supervisão do sistema financeiro, solicitando cuidado judicial em decisões que possam prejudicar essa função. A rigidez nas exigências do BC para a operação de instituições financeiras, observada nos últimos meses, reflete um esforço contínuo para manter a integridade e a segurança do sistema financeiro nacional.

Diante de um cenário de crescente judicialização e disputas relacionadas à regulação do setor, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, alertou sobre os potenciais riscos legais se não houver um alinhamento entre os tribunais. Ele defende que a aprovação da PEC da autonomia financeira do BC é uma medida essencial para restabelecer a capacidade de supervisão da instituição, que hoje conta com um número reduzido de servidores para cumprir suas metas. O clamor por um Banco Central mais robusto e independente é, portanto, uma questão central na agenda econômica atual do país.

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