Durante o depoimento, Paulo Henrique destacou que inicialmente as carteiras adquiridas apresentavam desempenho satisfatório e não levantaram suspeitas. “Começamos a comprar carteiras de crédito do Banco Master em julho de 2024 e seguimos em 2025, até que no final de abril de 2025 começamos a notar um ‘padrão documental diferente’ nas carteiras adquiridas”, relatou o ex-presidente. A situação se complicou com a entrada da Tirreno, levando a uma revisão interna que revelou que muitas das carteiras adquiridas eram de terceiros e apresentavam sérias incongruências documentais.
A questão levantou ainda mais dúvidas quando a delegada da PF, Janaina Palazzo, questionou Paulo Henrique sobre sua familiaridade com os contratos que o Banco Master tinha com a Tirreno. Sua resposta foi clara: “Não conhecíamos nada daquilo”. Essa falta de conhecimento acerca dos termos contratuais levanta questões sobre a supervisão e a responsabilidade nas transações realizadas.
As informações fornecidas por Paulo Henrique na oitiva coincidem com os relatos do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, que afirmou que as carteiras vendidas pelo Banco Master ao BRB, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, eram problemáticas desde março de 2025, muito antes da liquidação do banco, que ocorreu em novembro de 2025. Aquino confirmou que essa situação foi discutida entre o BRB e o Banco Central após solicitação deste último.
Após a detecção das anomalias, a direção do BRB imediatamente interrompeu as operações com carteiras que apresentavam características semelhantes às da Tirreno. “No dia 15 de maio, paramos de fazer seções de carteira com as características da Tirreno”, afirmou Paulo Henrique, ressaltando um comportamento de “zeladoria” por parte do Comitê de Auditoria do BRB, mesmo sem reclamações de clientes nesse período.
Esses depoimentos e as revelações que emergem dessa investigação são fundamentais para entender as complexidades e falhas regulatórias que cercam as operações entre instituições financeiras no Brasil, além de acender um sinal de alerta sobre as práticas do sistema bancário.






