Na sessão realizada nesta quarta-feira, 8 de abril, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, assegurou que a ausência de Campos Neto foi oficialmente comunicada. Segundo o senador, a defesa do ex-presidente do Banco Central argumentou que sua não comparecimento se baseava na interpretação de que a alteração da convocação inicial – que transformou um convite na obrigação de comparecer – violaria uma decisão judicial anterior.
Esse posicionamento faz referência a um despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que, no início de março, atendeu parcialmente ao pedido de Campos Neto. A decisão do STF redefiniu a convocação da CPI como um mero convite, o que, segundo a defesa, lhe isentaria de comparecer. Em resposta à insistência da CPI, que mesmo após essa determinação continuou a solicitar seu depoimento, a comissão votou em 31 de março a favor de um novo requerimento, garantindo que a presença de Campos Neto se tornasse obrigatória.
Cabe lembrar que, durante sua gestão à frente do Banco Central, sob a presidência de Jair Bolsonaro e em parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Campos Neto sempre se mostrou disponível para fornecer informações por escrito à CPI, embora sua presença física tenha sido evitada até o momento. Na mesma sessão em que foi anunciada sua nova ausência, a CPI prosseguiu com a oitiva de outras autoridades, incluindo o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mantendo sua agenda de investigações em curso.
Esse cenário levanta questionamentos sobre a responsabilização de autoridades no contexto da luta contra o crime organizado e a eficácia das medidas de supervisão bancária, ressaltando a importância do papel das CPI no fortalecimento da transparência e da accountability nas instituições públicas. A insistência da comissão em ouvir Campos Neto poderá significar um desdobramento crucial nessa investigação.
