Borrell fez uma análise crítica da situação econômica europeia, que, segundo ele, enfrenta uma desindustrialização preocupante. Ele argumentou que a globalização econômica, até então baseada na competitividade extrema, resultou em uma escassez de produtos essenciais, como medicamentos, evidenciada pela crise provocada pela pandemia de COVID-19. O ex-presidente da Comissão Europeia recordou que, durante a crise, a Europa se viu incapaz de produzir até mesmo um grama de paracetamol, expondo as fragilidades das cadeias de produção global.
Em relação à América Latina, Borrell reforçou a ideia de que a região é a “reserva do futuro”, devido à abundância de minerais raros essenciais para a transição energética global, como cobre e lítio. No entanto, ele ressaltou que relações justas e igualitárias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento são fundamentais para o êxito desses acordos.
Ao lado de Borrell, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, corroborou as observações feitas sobre a desindustrialização do Ocidente e a ascensão da Ásia no cenário tecnológico. Mercadante apontou que a chamada “erosão do multilateralismo” ocorre em um contexto de rápidas transformações globais, nas quais países emergentes, como a China, têm se destacado. Ele também enfatizou a importância de reformar instituições globais, colocando o Sul Global como uma peça chave nesse novo arranjo.
Mercadante fez um apelo à união entre diferentes governos, independentemente de suas inclinações políticas, ressaltando que os desafios enfrentados hoje exigem uma atuação conjunta e estratégica. Assim, o evento não apenas debateu as oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia, mas também lançou luz sobre a necessidade de um novo paradigma nas relações internacionais, em um mundo complexo e interdependente.






