Mazzini foi atingido na região da cintura, com o projétil saindo pelas costas. A defesa de Bernal alega que ele agiu em legítima defesa. O advogado do ex-prefeito, Oswaldo Meza, afirmou que Bernal foi acionado pela empresa responsável pela segurança do imóvel, que reportou a presença de invasores no local. Ao chegar ao imóvel, segundo Meza, Bernal encontrou o lugar arrombado e, enquanto adentrava, foi confrontado por duas pessoas desconhecidas.
“O encontro não foi algo planejado, mas uma reação imediata de defesa”, declarou o advogado, que também mencionou a presença de um chaveiro no local como testemunha. Ele ressalta a legitimidade da posse de Bernal sobre o imóvel, que está envolvido em um leilão judicial. De acordo com Meza, Bernal possui licença e registro para a posse de armas, o que deverá ser apresentado durante o inquérito, que ainda está em fase inicial. O acesso às imagens das câmeras de segurança, cruciais para o caso, é limitado e a defesa aguarda obtenção de todos os ângulos disponíveis.
Por outro lado, a versão apresentada pela defesa enfrenta contestação. Mazzini, que era servidor público, havia arrematado o imóvel em um leilão anterior e, segundo relatos, estava acompanhado de um chaveiro quando foi até o local para assumir a posse. A situação se complicou ainda mais com a descoberta de uma notificação extrajudicial em seu veículo, que exigia a desocupação do imóvel por parte de Bernal em um prazo de 30 dias.
Além disso, detalhes das investigações indicam que a abordagem de Bernal foi agressiva. Testemunhas afirmam que ele iniciou os disparos assim que chegou, sem conceder chance de defesa a Mazzini, que foi atingido várias vezes e chegou a ser reanimado por 25 minutos, mas não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil registrou a ocorrência como homicídio qualificado, considerando o fato de que o ex-prefeito utilizou um recurso que impossibilitou a defesa do auditor.
O imóvel em questão, avaliado em R$ 3,7 milhões, foi leiloado após um longo histórico de dívidas e complicações judiciais, o que contrasta com a alegação de posse legítima por parte de Bernal. A família da vítima emitiu uma nota afirmando que Mazzini estava desarmado e foi surpreendido, reforçando a ideia de que não teve qualquer chance de se defender durante o ataque.
Enquanto o inquérito prossegue, a defesa de Bernal se prepara para solicitar sua liberdade, alegando que ele deve ser absolvêdo com base na legítima defesa. A expectativa é que após o término das investigações, que devem ocorrer em cerca de dez dias, o caso seja encaminhado ao Ministério Público para análise e decisão sobre os próximos passos.
