Ex-prefeito Alcides Bernal é preso por disparar e matar auditor fiscal em disputa judicial por imóvel; defesa clama por legítima defesa em caso controverso.

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, se encontra detido no presídio militar da cidade após um incidente grave que resultou em disparos contra Roberto Carlos Mazzini, um auditor fiscal de 61 anos. O episódio ocorreu dentro de um imóvel cuja posse é objeto de uma disputa judicial acirrada, o que adiciona complexidade à situação.

Mazzini foi atingido na região da cintura, com o projétil saindo pelas costas. A defesa de Bernal alega que ele agiu em legítima defesa. O advogado do ex-prefeito, Oswaldo Meza, afirmou que Bernal foi acionado pela empresa responsável pela segurança do imóvel, que reportou a presença de invasores no local. Ao chegar ao imóvel, segundo Meza, Bernal encontrou o lugar arrombado e, enquanto adentrava, foi confrontado por duas pessoas desconhecidas.

“O encontro não foi algo planejado, mas uma reação imediata de defesa”, declarou o advogado, que também mencionou a presença de um chaveiro no local como testemunha. Ele ressalta a legitimidade da posse de Bernal sobre o imóvel, que está envolvido em um leilão judicial. De acordo com Meza, Bernal possui licença e registro para a posse de armas, o que deverá ser apresentado durante o inquérito, que ainda está em fase inicial. O acesso às imagens das câmeras de segurança, cruciais para o caso, é limitado e a defesa aguarda obtenção de todos os ângulos disponíveis.

Por outro lado, a versão apresentada pela defesa enfrenta contestação. Mazzini, que era servidor público, havia arrematado o imóvel em um leilão anterior e, segundo relatos, estava acompanhado de um chaveiro quando foi até o local para assumir a posse. A situação se complicou ainda mais com a descoberta de uma notificação extrajudicial em seu veículo, que exigia a desocupação do imóvel por parte de Bernal em um prazo de 30 dias.

Além disso, detalhes das investigações indicam que a abordagem de Bernal foi agressiva. Testemunhas afirmam que ele iniciou os disparos assim que chegou, sem conceder chance de defesa a Mazzini, que foi atingido várias vezes e chegou a ser reanimado por 25 minutos, mas não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil registrou a ocorrência como homicídio qualificado, considerando o fato de que o ex-prefeito utilizou um recurso que impossibilitou a defesa do auditor.

O imóvel em questão, avaliado em R$ 3,7 milhões, foi leiloado após um longo histórico de dívidas e complicações judiciais, o que contrasta com a alegação de posse legítima por parte de Bernal. A família da vítima emitiu uma nota afirmando que Mazzini estava desarmado e foi surpreendido, reforçando a ideia de que não teve qualquer chance de se defender durante o ataque.

Enquanto o inquérito prossegue, a defesa de Bernal se prepara para solicitar sua liberdade, alegando que ele deve ser absolvêdo com base na legítima defesa. A expectativa é que após o término das investigações, que devem ocorrer em cerca de dez dias, o caso seja encaminhado ao Ministério Público para análise e decisão sobre os próximos passos.

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