Ex-policial é julgado por assassinato de ativista social em Alagoas; crime teve motivação política e envolvimento de diversos agentes da segurança pública.

Na próxima segunda-feira, 20 de novembro, um dos casos mais emblemáticos da recente história criminal de Alagoas será analisado em seu desfecho judicial. Marcos Maurício Francisco dos Santos, ex-policial militar, será o próximo a ocupar o banco dos réus no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió. Ele é acusado de ser um dos participantes do assassinato de Kleber Malaquias, um empresário e ativista social assassinado em julho de 2020, na cidade de Rio Largo. O julgamento terá início às 8h e gera grande expectativa na sociedade alagoana.

As investigações realizadas pelo Ministério Público de Alagoas apontam que Marcos Maurício desempenhou uma função crucial na execução do crime, integrando um grupo que monitorava os movimentos da vítima, enquanto passava informações em tempo real para os autores dos disparos. O assassinato de Malaquias é visto como um crime encomendado, com motivações políticas evidentes. Reconhecido por sua luta contra a corrupção e pela exposição do envolvimento de agentes públicos com organizações criminosas, o ativista estava em uma posição vulnerável quando foi atacado.

Os detalhes do crime revelam um planejamento meticuloso, com promessas de recompensas financeiras e um disfarce que deixou a vítima sem qualquer chance de defesa. Até o momento, quatro pessoas já foram condenadas pelo envolvimento no caso, incluindo Fredson José dos Santos, um ex-policial militar apontado como o executor; Marcelo Souza e José Mário de Lima Silva, que eram policiais militares na época; e Edinaldo Estevão de Lima. Um quinto acusado, o policial civil Eudson Matos, ainda aguarda julgamento sob segredo de Justiça.

Kleber Malaquias foi morto com dois disparos no dia em que celebrava seu aniversário, em 15 de julho de 2020. O crime ocorreu dentro de um bar no bairro Mata do Rolo, em um ataque planejado e cheio de conotações sombrias. Dado seu impacto e a complexidade das investigações, o Ministério Público considera esse um dos casos de maior repercussão em Alagoas, exigindo uma força-tarefa que envolveu a quebra de sigilos telefônicos e financeiros, bem como rigorosas perícias técnicas.

Com a audiência programada para esta segunda-feira, o Tribunal do Júri se aproxima do fim da apreciação dos acusados neste estágio do processo. O Ministério Público reafirmou em nota seu compromisso com a justiça e o devido processo legal, deixando a responsabilização penal de Marcos Maurício nas mãos do Conselho de Sentença, que determinará seu destino frente aos graves crimes que lhe são atribuídos.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo