Ex-mulher de tenente-coronel preso por homicídio relatou stalking e perturbação, revelando um histórico de ameaças e ações judiciais para distanciamento.

No dia 18 de janeiro de 2010, uma dentista de 51 anos registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Taubaté, interior de São Paulo, denunciando o ex-marido por perturbação. O ex-companheiro, o oficial da Polícia Militar, então major Geraldo Leite Rosa Júnior, se tornaria, anos depois, uma figura central em um grave caso de violência. Recentemente promovido a tenente-coronel, ele foi preso sob a acusação de ter assassinado a atual esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, com um tiro na cabeça no apartamento onde viviam, localizado no Brás, na capital paulista.

Geraldo nega as acusações, argumentando que Gisele tirou a própria vida em decorrência do término do relacionamento. Essa versão, no entanto, recebeu um forte abalo após a Polícia Científica recuperar mensagens no celular da vítima que contradizem sua defesa e sugerem uma dinâmica de controle e manipulação.

A história de perturbação já se desenrolava há anos. Em seu depoimento de 2010, a dentista contou como, após a separação, o ex-marido ignorou as determinações judiciais sobre os horários das visitas à filha que tiveram juntos. Relatos indicam que ele realizava ligações em horários aleatórios, o que levou a mulher a trocar de número telefônico três vezes. Mesmo sabendo que a filha estava em férias com os avós, Geraldo utilizava essa situação para se aproximar da ex-esposa, levando-a a buscar ajuda na Polícia Militar.

A ex-mulher também mencionou que havia solicitado judicialmente um “distanciamento” do oficial, que aparentemente não respeitava o pedido. A Polícia Civil havia enviado uma cópia do boletim de ocorrência à vara de família competente da comarca, indicando a gravidade da situação.

Em meio a essas revelações, a dentista, ao ser contatada, optou por não comentar sobre o caso. Por sua vez, a defesa de Geraldo, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, ressaltou que se manifestará apenas durante o processo legal que se desenvolve. Este caso, que se inicia com denúncias de controle emocional e segue para o trágico assassinato de uma mulher, lança luz sobre a complexidade das relações abusivas e a importância da denúncia de comportamentos prejudiciais.

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