Ex-fotógrafo da Associated Press Jack Thornell, famoso por imagem emblemática dos direitos civis, morre aos 86 anos em Nova Orleans.

Morte de Jack Thornell, fotógrafo premiado e ícone do Movimento dos Direitos Civis

O mundo do jornalismo e da fotografia perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas com a morte de Jack Thornell, ex-fotógrafo da Associated Press, que faleceu aos 86 anos em um hospital em Metairie, subúrbio de Nova Orleans. Thornell, cuja carreira se estendeu de 1964 a 2004, é amplamente lembrado por sua icônica foto de James Meredith, um proeminente ativista dos direitos civis, que foi baleado durante uma marcha no Mississippi em 1966. Essa imagem não apenas rendeu a Thornell o Prêmio Pulitzer em 1967, mas também se tornou um poderoso símbolo da luta pela igualdade racial nos Estados Unidos.

Thornell enfrentou diversas situações desafiadoras ao longo de sua carreira, cobrindo temas que variavam de política a desastres naturais, mas seu trabalho no Movimento dos Direitos Civis esteve no centro de seu legado. Sua primeira atribuição na AP, em sua estreia no escritório de Nova Orleans, foi documentar a integração de uma escola na Costa do Golfo do Mississippi, um trabalho que o envolveria profundamente nas questões raciais da época.

Em junho de 1966, ao cobrir a marcha de Meredith, Thornell estava em um carro estacionado quando disparos à distância quebraram o silêncio, capturando o momento dramático e turbulento que refletia a resistência à dessegregação. A imagem poderosa de Meredith ferido, lutando contra o chão, permanece na memória coletiva como um testemunho do racismo que permeava a sociedade americana. Este momento histórico não foi apenas um ponto culminante na carreira de Thornell, mas também uma janela para a brutalidade enfrentada pelos ativistas da época.

Embora tenha realizado trabalhos abrangentes e impactantes, incluindo o retrato de figuras como Martin Luther King Jr., Thornell lutou para reconhecer suas próprias realizações durante sua jornada. Seu filho, Jay Thornell, lembrou-se de seu pai como um homem apaixonado pela fotografia, mas que muitas vezes não entendia o impacto de seu trabalho. “Ele estava servindo ao mundo e expondo verdades que muitos preferiam ignorar,” disse Jay.

Nascido em Vicksburg, Mississippi, Thornell viu suas ambições de se tornar fotógrafo se concretizarem quase por acaso, graças a um erro militar que o direcionou para uma carreira em fotografia durante seu serviço no Exército. Depois de se consolidar como um respeitado fotográfo, ele estabeleceu um compêndio de imagens que documentam as tensões raciais, a luta por direitos civis e o clamor por justiça em uma época de mudança.

Este notável fotógrafo deixa um legado indelével por meio de suas imagens que contam histórias profundas e complexas, refletindo a dor e a esperança de um movimento que ainda ressoa nos dias de hoje. Jack Thornell será lembrado não apenas por sua habilidade com a câmera, mas por seu compromisso de dar voz a uma luta que ainda continua. Ele é sobrevivido por seu filho Jay, sua filha Candy e sua neta, a quem deixa um legado de coragem e verdade.

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