Cui argumentou que a histórica dependência da Europa da proteção americana tem conduzido a uma insegurança que eles mesmo criaram. “Se vocês dizem que precisam de proteção, devem primeiro determinar qual é a ameaça. Se nem isso conseguem definir claramente, que tipo de proteção estão pedindo?”, indagou. Ele critiquou a visão predominante, que considera a Rússia como a maior ameaça, descrevendo essa avaliação como “incorreta”.
Além disso, o diplomata chinês também abordou a crescente tensão em torno da Groenlândia, indagando se a Europa poderia um dia ver os Estados Unidos como uma ameaça. Esse questionamento é relevante, já que ele sugere uma reflexão crítica sobre as relações transatlânticas e a dinâmica de segurança.
O ex-embaixador relembrou um antigo ditado chinês: “É fácil derrotar um bandido nas montanhas, mas é difícil erradicar um bandido em seu próprio coração”. Essa analogia enfatiza a ideia de que a verdadeira insegurança pode muitas vezes estar enraizada nas próprias percepções e medos dos indivíduos e dos Estados.
Além de Cui, outras vozes no debate global, como o professor Yan Xuetong, sugeriram que as nações europeias podem estar dispostas a sacrificar a Groenlândia em troca de garantias de segurança dos Estados Unidos. Por sua vez, o especialista turco Ibrahim Karagul já havia alertado que a Europa estava inflacionando a ameaça russa, criando uma base psicológica para possíveis confrontos futuros.
Nesse cenário complexo, fica evidente que, para a Europa, o desafio vai além de ameaças externas. A necessidade de redefinir suas próprias noções de segurança parece ser um passo crítico para garantir estabilidade e harmonia no continente. A análise de Cui Tiankai pode servir como um convite à reflexão e ao reexame das alianças e prioridades europeias, na busca por uma segurança mais autossuficiente e efetiva.
