Ex-cônsul da França na Bahia busca reparação por injúria racial após ataques discriminatórios em sua gestão diplomática.

O ex-cônsul honorário da França na Bahia, Mamadou Gaye, está travando uma batalha judicial em busca de reparação por injúria racial após ser alvo de ataques discriminatórios enquanto exercia sua função diplomática. Entre 2023 e 2024, Gaye foi vítima de ofensas por parte de um cidadão francês residente na Bahia, Fabien Liquori, que não aceitou a negativa do ex-cônsul em interceder em questões burocráticas na França.

Segundo relatos de Gaye, as agressões começaram em maio de 2023 e escalaram até outubro do mesmo ano, quando Liquori fez comentários racistas e depreciativos, chamando Gaye de “tirano africano” e sugerindo que ele voltasse para seu país de origem. Diante dessas ofensas, Gaye decidiu acionar a Justiça e processar Liquori por injúria racial.

Em janeiro de 2024, o Tribunal de Justiça da Bahia determinou o pagamento de R$ 3 mil por danos morais a Gaye, porém o ex-cônsul considerou o valor “irrisório” e recorreu da decisão. Em dezembro de 2024, um novo julgamento manteve a quantia de R$ 3 mil, sem exigir que o agressor se retratasse publicamente. Para Gaye, a Justiça minimizou a gravidade do ataque que ele sofreu e não refletiu a seriedade da situação.

Diante desse cenário, Gaye decidiu tornar pública sua luta contra a injúria racial, compartilhando sua história nas redes sociais e destacando que o caso vai além de uma disputa pessoal, evidenciando mais um episódio de racismo em uma sociedade marcada pela desigualdade racial. Instituições como a Aliança Francesa e o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA manifestaram apoio a Gaye, condenando o episódio de discriminação e ressaltando a importância da promoção de atos de reparação.

O ex-cônsul está determinado a buscar novos recursos legais, incluindo um embargo de declaração e a atuação do Ministério Público de Combate ao Racismo, reafirmando sua resistência contra atitudes racistas e injustas. A luta de Mamadou Gaye reflete a necessidade de combater ativamente o racismo e garantir a punição daqueles que perpetuam essas práticas discriminatórias na sociedade.

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