Entre as condições impostas pelo ministro estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair de casa à noite e nos finais de semana, e a proibição de ter contato com outros investigados nos casos em que é alvo, com exceção de familiares. Além disso, Cid também está proibido de utilizar redes sociais e de comunicar-se com os demais investigados, exceto sua esposa, filha e pai.
A partir de agora, Mauro Cid deverá dar mais detalhes e entregar elementos que possam ajudar a esclarecer suspeitas que envolvem o ex-presidente Bolsonaro, como a fraude em cartões de vacinação, a venda de joias recebidas pelo governo brasileiro e a suposta trama para uma tentativa de golpe no país. Em troca, o ex-ajudante de ordens poderá receber um abatimento ou até mesmo um perdão de uma eventual pena em caso de condenação.
No processo de homologação do acordo, Mauro Cid e seu advogado procuraram o gabinete do ministro Moraes para oferecer a delação premiada. O Ministério Público Federal (MPF) demonstrou dúvidas sobre a validação do acordo, porém a Polícia Federal aceitou firmá-lo com Cid. Agora, cabe a Alexandre de Moraes avaliar se a colaboração foi feita de forma regular e se os benefícios previstos ao investigado estão adequados.
O processo passará a ser sigiloso a partir do recebimento da proposta de delação, e Mauro Cid estará obrigado a renunciar ao direito ao silêncio em todos os depoimentos que prestar. Além disso, ele deverá entregar aos investigadores elementos que ajudem a comprovar as informações fornecidas em sua delação premiada. A partir dos depoimentos de Cid, novas diligências serão realizadas, podendo resultar em prisões e buscas.
No entanto, é importante ressaltar que a lei prevê que a delação seja rescindida caso o colaborador não conte tudo o que sabe. Caso isso ocorra, Mauro Cid corre o risco de perder os benefícios concedidos pelo acordo.
Entre os principais inquéritos em que Mauro Cid deve colaborar estão o caso da venda de joias recebidas por Bolsonaro na Presidência, a investigação sobre a fraude em cartões de vacinação e as tramas golpistas relacionadas ao ex-presidente. Cid terá a oportunidade de esclarecer por que e a mando de quem ele e seu pai venderam relógios recebidos por Bolsonaro de outros chefes de estado, explicar sua participação na suposta fraude em cartões de vacina e fornecer informações sobre episódios envolvendo Bolsonaro, como a reunião no Palácio do Planalto em que o senador Marcos do Val afirmou ter ouvido um plano para gravar Moraes, feito pelo ex-deputado Daniel Silveira.
A delação premiada de Mauro Cid promete trazer à tona detalhes e informações importantes sobre o governo Bolsonaro e suas possíveis irregularidades. Resta aguardar as próximas etapas do processo e ver quais serão os desdobramentos a partir das colaborações do ex-ajudante de ordens.
