Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deixa prisão com tornozeleira eletrônica após acordo de delação premiada homologado pelo STF

O ex-ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, foi libertado da prisão neste sábado, por volta das 14h30, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Cid agora está na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Distrito Federal, onde está colocando uma tornozeleira eletrônica antes de seguir para sua casa. O tenente-coronel propôs um acordo de delação premiada, que foi homologado por Moraes hoje. O ponto de partida do acordo foi a investigação em andamento no STF sobre as milícias digitais. De acordo com a decisão do ministro, Cid não pode se comunicar com outros suspeitos, com exceção de sua mulher Gabriela Cid e seu pai, o general Mauro Lourena Cid.

Além disso, o tenente-coronel também está proibido de sair do país, utilizar redes sociais, portar armas de fogo e deixar sua casa à noite e nos fins de semana. Cid foi preso em maio deste ano, como resultado de uma operação que investiga um suposto grupo envolvido na inserção de informações falsas sobre vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.

Existem outras investigações abertas envolvendo o militar que podem prejudicar Bolsonaro, como suspeitas de envolvimento em uma suposta trama para um golpe de estado, participação em uma reunião com o hacker Walter Delgatti Netto, que afirmou ter participado de uma tentativa de inserção de dados falsos nas urnas eletrônicas, e a suspeita de venda de joias recebidas como presente pelo governo brasileiro.

O pai de Mauro Cid é próximo de Bolsonaro e estudou na mesma academia militar que o ex-presidente nos anos 1970. Em agosto, o general da reserva Mauro Lourena Cid foi alvo de um mandado de busca e apreensão, e a Polícia Federal descobriu que ele ajudou a vender as joias nos Estados Unidos. O general também agiu para recomprar as peças quando o Tribunal de Contas da União ordenou que elas fossem devolvidas.

Além de Cid, o assessor e ex-segurança de Bolsonaro, o ex-policial militar Max Guilherme, também foi solto por ordem de Moraes. Guilherme foi preso no mesmo dia que Cid, como parte das investigações sobre a inserção de dados falsos na carteira de vacinação de Bolsonaro, Cid e seus familiares.

Essas medidas no âmbito do inquérito das milícias digitais têm potencial para desgastar Bolsonaro, já que envolvem pessoas próximas a ele e suspeitas de manipulação de informações. A liberdade concedida aos envolvidos pode ter impacto nas investigações em curso e na imagem do presidente, gerando mais questionamentos sobre sua conduta e envolvimento nessas questões.

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