Ex-agente colombiano condenado a 150 meses de prisão por torturar psicologicamente jornalista investigando morte de colega em 1999

Um ex-agente da inteligência colombiana foi condenado a 150 meses de prisão por torturar a jornalista Claudia Julieta Duque em uma tentativa de dissuadi-la de investigar a morte de um colega jornalista em 1999. O alto tribunal que proferiu a sentença informou sobre a condenação nesta quinta-feira.

Durante o período de 2001 a 2008, Claudia Julieta Duque foi alvo de perseguições e intimidações enquanto buscava investigar a possível participação de agentes do extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS) no assassinato do jornalista e humorista Jaime Garzón, que foi baleado enquanto se dirigia para uma transmissão de rádio.

O ex-agente Ronal Rivera Rodríguez foi absolvido desses crimes em maio, mas a decisão foi revertida após um recurso apresentado por Duque. O Tribunal Superior de Bogotá considerou-o culpado de “tortura agravada” ao utilizar recursos do Estado contra uma jornalista em razão de seu trabalho.

A sentença determinou que o ex-funcionário do DAS cumprirá uma pena de 150 meses de prisão e terá que pagar uma multa de 1.500 salários mínimos legais mensais. Segundo a decisão do tribunal, Rivera foi considerado “coautor” do crime entre 2003 e 2004. Além disso, outros três ex-agentes do órgão foram condenados pela perseguição contra a jornalista, que foi forçada ao exílio em duas ocasiões devido a ameaças de morte contra ela e sua filha menor de idade.

A jornalista, que celebrou a decisão como uma “reivindicação, um carinho na alma”, relatou as ameaças que recebeu por parte dos agentes do DAS em diversas ocasiões. Ela descreveu a justiça como “um choro incontrolável que cura tanta ignomínia e impunidade”.

O jornalista Jaime Garzón, cuja morte motivou as investigações de Duque, era conhecido por suas denúncias satíricas envolvendo altos comandantes das forças armadas e elites econômicas com grupos paramilitares de extrema direita que cometeram vários massacres. Seus assassinos, o chefe paramilitar Carlos Castaño e o ex-diretor do DAS José Narváez, foram condenados como autores intelectuais do crime. Castaño faleceu antes de ser capturado, e Narváez cumpre atualmente uma pena de 26 anos de prisão.

Em um contexto em que a liberdade de imprensa é muitas vezes ameaçada e jornalistas correm riscos ao realizar seu trabalho, a condenação do ex-agente do DAS representa um passo significativo em direção à justiça e à proteção das liberdades fundamentais.

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