Evo Morales Propõe Eleições em 90 Dias Para Acalmar Crise e Protestos na Bolívia

No último domingo, 24 de maio de 2026, o ex-presidente boliviano Evo Morales fez uma proposta audaciosa em meio à crescente crise política e social que assola a Bolívia: a convocação de novas eleições gerais em até 90 dias. Durante seu programa semanal na Rádio Kawsachun Coca, Morales destacou a urgência da situação, que está marcada por intensos protestos e bloqueios contra o governo do atual presidente Rodrigo Paz.

Morales argumentou que, diante do atual cenário de violência e instabilidade, a saída do presidente é crucial para a pacificação do país. Ele sugeriu a formação de um governo de transição que tenha como principal tarefa organizar novas eleições, com o objetivo de evitar mais mortes e feridos. “Tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”, afirmou o ex-mandatário.

Desde o início de maio, os protestos têm se intensificado, envolvendo uma variedade de setores sociais, incluindo trabalhadores, professores e camponeses, e se concentrando em áreas como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca. Esses manifestantes expressam sua insatisfação com as políticas econômicas do governo, alegando que Rodrigo Paz ignora demandas vitais relacionadas a salários, terras, saúde e educação. O presidente, por sua vez, responde às críticas atribuindo a instabilidade ao legado de Morales, que foi presidente da Bolívia entre 2006 e 2019.

A crise econômica que o país enfrenta é alarmante, caracterizada por uma escassez de dólares, inflação crescente e problemas de abastecimento. Os bloqueios de estradas implementados por manifestantes resultaram na falta de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz, impactando diretamente a vida cotidiana da população e contribuindo para o aumento dos preços, que já chegou a 14% em abril em relação ao ano anterior.

Morales nega as acusações de que seria o responsável pela instigação dos protestos, afirmando que a revolta é uma resposta às políticas adotadas pelo governo de Paz, especialmente um decreto que afeta diretamente os seus apoiadores. “A partir de uma reivindicação setorial — salário, posse de terras, atenção às demandas em saúde e educação — transforma-se em uma revolta popular contra o modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial”, explicou ele.

Em reação à crescente tensão, o governo boliviano lançou a Operação Bandeiras Brancas, um esforço policial e militar para desbloquear rodovias estratégicas. No entanto, a operação encontrou resistência, culminando em confrontos na região de Senkata, em El Alto.

Diante desse clima de agitação, Morales alertou sobre o risco de desestabilização da ordem democrática e reiterou a necessidade de uma transição pacífica. O futuro político da Bolívia parece incerto à medida que a pressão sobre Paz e seu governo aumenta, e a busca por soluções se torna mais premente no dia a dia da população.

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