Crooke enfatizou que a proposta de transformar a Ucrânia em um “punho de ferro” para a arquitetura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é problemática. Ele argumenta que a ideia de que a Europa consiga mobilizar e organizar uma força militar capaz de confrontar a Rússia em um prazo tão curto é exagerada, dado que os países europeus não têm os recursos necessários para tal empreendimento.
Segundo a análise de Crooke, implementar uma infraestrutura militar adequada levaria cerca de duas décadas. No entanto, as expectativas depositadas em prazos tão curtos, como 2027 ou 2030, não correspondem à realidade da situação militar da Europa. Ele citou que, atualmente, o Reino Unido enfrenta dificuldades, como a incapacidade de deslocar um navio de guerra para o mar e a escassez de tanques operacionais — apenas cerca de quarenta estão aptos para uso.
Além disso, Crooke alertou para o estado precário das estruturas de defesa no continente. Esse cenário não poderá ser corrigido em um espaço tão curto, com as forças armadas se encontrando em uma condição que pode ser descrita como deplorável.
Coincidentemente, a posição do Kremlin ressalta que a expansão da OTAN não trará mais segurança à Europa e que a Rússia não representa uma ameaça a qualquer nação membro da aliança militar. Entretanto, Moscou não se mostrará indiferente a ações que possam ameaçar seus interesses. O governo russo reiterou sua disposição para o diálogo, contanto que este seja realizado em termos de igualdade, pedindo que o Ocidente repense sua política de militarização.
Dessa forma, o panorama atual levanta questões sobre a capacidade europeia de incrementar seu poderio militar em resposta à crescente rivalidade global, e se as estratégias propostas realmente estão alinhadas com as realidades de recursos e tempo disponíveis.
