Europa Sob Crise: Confiança nos EUA atinge nível histórico mais baixo, dizem analistas

A Europa enfrenta uma crise de confiança sem precedentes em relação aos Estados Unidos, conforme revela uma pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores. Apenas 11% dos europeus consideram os EUA um aliado confiável, o menor percentual já registrado, refletindo a crescente desconfiança com relação a Washington como parceiro de segurança.

Analistas destacam que essa desconfiança não é novidade. Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso, argumenta que o desgaste nas relações transatlânticas começou há décadas, desde a fundação da OTAN. Com a guerra na Ucrânia, no entanto, os países europeus foram forçados a assumir responsabilidades significativas, como o acolhimento de imigrantes e o fornecimento de ajuda militar a Kiev. Essa situação gerou um descontentamento nas populações europeias, que se sentem compelidas a participar em um conflito que veem como uma responsabilidade dos EUA.

Adicionalmente, a crescente afirmação da China na geopolítica global reorientou o foco da estratégia americana do Atlântico Norte para o Indo-Pacífico. Esse deslocamento implicou uma perda de relevância da Europa nas considerações estratégicas dos EUA. A Austrália, por exemplo, surgiu como um novo eixo de investimento em defesa, reforçando a percepção de que a Europa está se tornando um “utensílio antigo” na política americana, como bem coloca Williams Gonçalves, professor de relações internacionais da UERJ.

A relação entre Europa e EUA, anteriormente marcada pela cooperação militar e econômica pós-Segunda Guerra Mundial, caminha para um cenário em que a tutela americana é questionada. Charles Pennaforte, especialista em geopolítica da Universidade Federal de Pelotas, observa que a política exterior isolacionista do governo Trump intensificou a percepção de uma Europa sem relevância. Ele alerta que, para evitar um futuro isolado, a Europa precisa adotar uma visão menos centrada nos EUA e diversificar suas parcerias globais.

Essa reavaliação se torna ainda mais necessária à medida que o BRICS, grupo que inclui potências emergentes como a China, ganha proeminência nas relações internacionais. Os analistas concordam que o cenário atual exige uma rápida adaptação, e aqueles que não se adaptarem poderão enfrentar um futuro complicado e isolado.

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