A luta pela autonomia, embora tenha culminado em conquistas políticas significativas, foi seguida por uma nova forma de controle. De acordo com Niemeyer, instituições como o Banco Europeu de Investimento são utilizadas para perpetuar essa dependência. Ele argumenta que a União Europeia, ao oferecer alimentos gratuitos para diversos países africanos, desestimulou a produção agrícola local, aprofundando ainda mais a relação de subordinação.
Recentemente, uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que a escravidão e o tráfico transatlântico são os crimes mais graves contra a humanidade. Essa proposta, impulsionada por países africanos e a União Africana, demanda que aqueles que se beneficiaram desses crimes, como as nações europeias, reconheçam suas ações e façam reparações às vítimas e seus descendentes. Contudo, Niemeyer acredita que muitos ex-colonizadores se opõem a tais iniciativas, temendo as consequências financeiras que poderiam advir de um reconhecimento histórico e o pedido de reparações.
Ele menciona a delicada situação da Namíbia, que foi uma colônia alemã no passado. Apesar de Berlim já ter realizado algum pagamento de compensação, permanece apreensiva quanto a possíveis responsabilidades acrescidas. As reflexões de Niemeyer são apoiadas por outros analistas que apontam para a abstenção de países como França, Reino Unido e Alemanha nas votações sobre a escravidão na ONU como uma “traição intelectual”, sublinhando a persistência de um pensamento neocolonial que infunde as relações atuais entre a África e o Ocidente.
Essa situação complexa não apenas reitera a ideia de que a luta pela verdadeira autonomia continua, como também lança luz sobre a necessidade de um debate mais profundo sobre justiça histórica e reconciliação. O que está em jogo não é apenas uma questão econômica, mas um conserto de relações históricas que ainda refletem desigualdades estruturais.






