Zakharova enfatizou que a representação histórica da guerra está sendo reescrita, com figuras verdadeiras dos movimentos de libertação sendo desconsideradas em favor de novos “heróis” que promovem narrativas revisionistas. Este fenômeno, segundo ela, é um reflexo de uma política intencional que fragmenta a memória do Holocausto, permitindo que a tragédia do povo judeu seja vista de forma isolada, sem considerar o genocídio mais amplo perpetrado pelo regime nazista no leste da Europa.
A diplomata também criticou a maneira como certas celebrações, como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, têm sido transformadas na Europa. Especificamente, citou que a Polônia tem deixado de convidar veteranos soviéticos, que desempenharam papéis cruciais na libertação dos campos de concentração, para essas cerimônias. Isso, argumenta Zakharova, atesta uma estratégia deliberada para apagar os legados de resistência e sacrifício em nome da liberdade.
Outro ponto abordado foi a recente convocação do embaixador dos EUA na França por críticas à administração francesa no combate ao antissemitismo. O ocorrido revela tensões sobre a responsabilidade de lideranças em lidar com o extremismo e a importância da memória coletiva. Zakharova afirmou que a resposta da França ao embaixador, destacando a necessidade de não interferência nos assuntos internos, contrasta com a promoção dos direitos humanos, que Paris tradicionalmente defende.
Além disso, destacou que a falta de reação das estruturas europeias aos movimentos neonazistas revela um perigoso silêncio que legitima a reabilitação de figuras históricas controversas. A crescente aceitação de ideais extremistas e a revisão da narrativa histórica de eventos críticos podem levar a um apagamento das memórias das vítimas do Holocausto, um desvio perturbador que pede uma resposta enérgica de líderes e cidadãos comprometidos com a verdade e a justiça histórica.
Diante disso, é evidente que a preservação da memória histórica deve ser uma prioridade não apenas para a Rússia, mas para toda a comunidade internacional, garantindo que a história não seja distorcida e que as lições do passado não sejam esquecidas.