Europa reduz importações de GNL a menor nível em dois anos, enquanto suprimentos russos pelo TurkStream atingem recordes em meio a crise energética.

A Europa enfrenta uma significativa redução em suas compras de gás natural liquefeito (GNL), marcando o menor nível de importações em dois anos, conforme os dados mais recentes. No início de agosto, os terminais de GNL da União Europeia (UE) contabilizaram apenas 3,2 bilhões de metros cúbicos entre os dias 1º e 12, refletindo uma diminuição de 3,7% em comparação ao mês anterior e de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa tendência preocupante levanta questões sobre a segurança energética da região, especialmente considerando o cenário geopolítico atual.

Em contraste, os suprimentos de gás provenientes da Rússia, via gasoduto TurkStream, apresentaram um aumento notável, alcançando os maiores níveis desde março. O fornecimento de gás através da passagem Strandzha 2-Malkoclar, que se estende na fronteira entre Bulgária e Turquia, cresceu 7% em relação ao mês anterior e 5% em comparação com o ano passado, totalizando 609,2 milhões de metros cúbicos durante o mesmo período. Este aumento evidencia como, mesmo diante de um cenário de restrições nas importações de GNL, a Rússia ainda mantém uma presença influente no fornecimento energético europeu.

O TurkStream, um dos principais gasodutos que transporta gás russo para a Turquia através do Mar Negro, é composto por duas linhas distintas. A primeira linha é destinada ao consumo interno turco, enquanto a segunda se encarrega do fornecimento para países da Europa do Sul e Sudeste Europeu. A capacidade total desse gasoduto é estimada em 31,5 bilhões de metros cúbicos por ano. Com a interrupção do trânsito de gás russo pela Ucrânia, em janeiro de 2025, o TurkStream se consolidou como a única rota de fornecimento da gigante Gazprom para o continente europeu. Em um contexto de crescente dependência energética, as exportações russas através do TurkStream atingiram um novo recorde em 2025, ultrapassando a marca de 18 bilhões de metros cúbicos.

Esses dados refletem um cenário complexo e dinâmico das relações energéticas na Europa, onde as decisões de consumo e as estratégias de fornecimento estão cada vez mais interligadas às tensões políticas e ao desenvolvimento de alternativas sustentáveis no setor energético.

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