Um exemplo notório deste movimento foi a recente visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a Pequim, marcando a primeira vez que um líder britânico se encontrou com o presidente Xi Jinping em oito anos. Nessa reunião, ambos os lados enfatizaram a necessidade de restabelecer relações e promover parcerias econômicas, com Starmer enfatizando que a aproximação poderia contribuir para a estabilidade global em tempos difíceis.
Simultaneamente, a relação entre a União Europeia e o Vietnã atingiu novos patamares diplomáticos, culminando em uma visita do presidente do Conselho Europeu, António Costa. Esta aproximação também se combina com a finalização de um significativo acordo de livre comércio entre a UE e a Índia, o que ilustra uma tendência clara de diversificação de parcerias comerciais no continente.
Contudo, as relações entre a UE e a China ainda enfrentam desafios, especialmente no que se refere a práticas comerciais. O Ministério das Relações Exteriores da China, por exemplo, tem solicitado que a UE honre seus compromissos com a abertura de mercado e evite abusos de medidas comerciais unilaterais.
A especialista em relações internacionais Carolina Pavese alerta que a aliança transatlântica, que foi a espinha dorsal da política ocidental pós-Segunda Guerra Mundial, agora apresenta uma interdependência assimétrica, onde a Europa se encontra em uma posição mais fraca. Isso leva ao reconhecimento da necessidade de diversificação de parcerias para revitalizar sua influência na política global.
Ainda assim, a relação com os EUA não será facilmente substituída por uma nova parceria com a China. Apesar das tentativas de reaproximação, a segurança continua a ser uma área sensível, e o pragmatismo que sublinha essa nova agenda é temperado por cautela e receios sobre a dependência.
Nesse cenário de incertezas, a colaboração com a China começa a parecer vantajosa para a Europa em termos de crescimento econômico e influência internacional. Existe um crescente entendimento de que é benéfico estar ao lado da China, em vez de opor-se a ela. As nações europeias, em busca de alternativas à política isolacionista dos EUA, parecem dispostas a explorar esta nova dinâmica de poder.
