Wunsch destaca que a visão europeia sobre o liberalismo econômico é, em certo sentido, “ingênua”. As premissas que sustentam mercados abertos e a proibição de subsídios estatais não se coadunam com a realidade dinâmica e competitiva que o cenário internacional apresenta atualmente. A política americana de “América em primeiro lugar” e a estratégia intervencionista da China são exemplos claros de como as dinâmicas globais estão mudando, desafiando os paradigmas que antes garantiam a estabilidade e a prevalência do modelo liberal europeu.
O diretor do banco central belga aponta que os rigorosos regulamentos e a ênfase na abertura de mercados que eram eficazes em um mundo baseado em regras estão se tornando obsoletos. Ele alerta que persistir nesse modelo é uma forma de ignorar a realidade atual, que exige flexibilidade e adaptabilidade.
Além disso, Wunsch levanta preocupações sobre a recente estratégia da Comissão Europeia, que se baseia na celebração de acordos de livre comércio com diversos países. Embora reconheça os sucessos dessa abordagem no passado, ele enfatiza que a Europa está perdendo terreno em inovação, especialmente em setores cruciais, como aqueles de alta demanda energética, onde os custos para o continente são elevados e a necessidade de preservação da produção local se torna um desafio.
Wunsch também menciona o uso ativo de subsídios pela China e as políticas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que têm comprometido a “igualdade de condições” no comércio internacional. Nesse contexto, a União Europeia tem evitado adotar soluções mais complexas que poderiam equilibrar a competitividade, o cumprimento de metas climáticas e a manutenção de um comércio aberto.
Por fim, ele lança um alerta contundente sobre o risco de a Europa ficar para trás em tecnologias emergentes, como inteligência artificial e robótica, o que poderia resultar em uma perda significativa de influência na definição de padrões globais. Em um mundo em transformação, a capacidade de adaptação da Europa será determinante para seu futuro econômico e geopolítico.
