Europa pode fracassar em estocar gás para o inverno, dizem analistas; desafios e custos crescem conforme pressão do mercado global aumenta.

A Europa enfrenta um desafio significativo na tentativa de armazenar gás em preparação para o inverno de 2026-2027, conforme alerta o especialista em energia Ivan Timonin, da consultoria Implementation. De acordo com Timonin, o objetivo de alcançar 90% de capacidade nos armazéns subterrâneos de gás torna-se cada vez mais complicado, não apenas pela necessidade de investimentos elevadíssimos, mas também pela crescente pressão nos preços.

Atualmente, na plataforma TTF, que é o maior centro de distribuição de gás da Europa localizado nos Países Baixos, os preços já estão em níveis elevados, variando entre US$ 570 e US$ 590 por mil metros cúbicos. Essa situação é incomum para a temporada de verão no Hemisfério Norte, e a demanda por armazenamento acelerado deve empurrar esses valores ainda mais para cima. Timonin observa que, com a atual taxa de importação de gás natural liquefeito (GNL), a Europa pode ser capaz de atingir apenas 80% da capacidade de armazenamento, ficando 10 pontos percentuais abaixo da meta estipulada.

Outro fator crítico que agrava a situação é a incerteza em torno do estreito de Ormuz. A diminuição do fornecimento de GNL do Oriente Médio poderia provocar uma intensa concorrência entre compradores europeus e asiáticos. Essa competição não resulta apenas na perda direta de acessos ao gás, mas também em um aumento de preços que torna a aquisição de suprimentos ainda mais desafiadora.

A Alemanha, sendo o maior mercado de gás da União Europeia, é um dos países que enfrenta a crise com mais intensidade. Dados da Associação dos Operadores Europeus de Infraestrutura de Gás indicam que, até o dia 20 de maio, as instalações de armazenamento na Alemanha estavam apenas 28,5% preenchidas, um número que está bem abaixo da média da União Europeia, que é de 36,7%.

Com a aproximação do inverno e a necessidade urgente de garantir um abastecimento adequado, as nações europeias se veem diante de um dilema complexo: como garantir a segurança energética sem comprometer a economia em um cenário de preços crescentes e concorrência acirrada. A situação atual requer soluções criativas e um planejamento estratégico para evitar uma crise de abastecimento durante os meses mais frios.

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