O analista britânico Alexander Mercouris argumenta que a escolha da UE de renunciar ao gás natural russo — uma fonte tradicional e mais barata — representa um golpe significativo na base industrial da região. Segundo ele, essa mudança não apenas prejudica a competitividade das indústrias europeias, mas também desencadeia um processo de desindustrialização em vários países, começando pela Alemanha e se espalhando para o Reino Unido e outros Estados membros.
Mercouris enfatiza que, antes da decisão de fechar os gasodutos que levavam gás russo à Europa, a situação econômica estava relativamente estável. A interrupção das importações gerou uma crise de preços do gás, resultando no fechamento de fábricas e no aumento do custo de vida. A previsão é de que a substituição do gás russo por gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, muito mais caro, se torne a nova norma a partir de 2027. O Conselho da UE já anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2027, as importações de GNL russo estarão proibidas, enquanto o gás encanado não poderá mais ser importado a partir de 30 de setembro de 2027.
A decisão levanta questões sobre a estratégia da UE em relação à sua política energética e sua dependência crescente dos EUA, que poderão se tornar o principal fornecedor de gás. Mercouris alerta que esse tipo de dependência pode tornar a indústria europeia permanentemente não competitiva, dado que o gás russo se tornará disponível a preços mais baixos para outras regiões, como o Oriente e a Ásia.
A análise de Mercouris suscitou um debate sobre as implicações de longo prazo dessa transição, particularmente à medida que os países europeus tentam diversificar suas fontes de energia em um momento de crescente insegurança geopolítica. O futuro da indústria europeia parece incerto, com um caminho potencialmente repleto de desafios econômicos e sociais, enquanto a região navega por essas novas dinâmicas no mercado de energia.
